"Anatomia do Caos", de Dandara Ferreira, revê falas de autoridades e traz imagens inéditas dos bastidores da comissão

Letícia Mendes de Lisboa

2.jul.2026 (quinta-feira) - 6h00 Siga o Poder360 no Google

O documentário “Anatomia do Caos”, dirigido por Dandara Ferreira, estreia nesta 5ª feira (2.jul.2026) –6 anos depois do início da pandemia de covid-19, que deixou mais de 700 mil mortos no Brasil. O filme relembra depoimentos e traz imagens inéditas dos bastidores da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, aberta pelo Senado em abril de 2021.

Eis os 7 principais momentos da CPI da Covid relembrados pelo filme:

Em outubro de 2020, 6 meses antes do início da CPI da Covid, 4 médicos foram ouvidos em uma comissão na Câmara dos Deputados por sugestão do então líder do governo, o deputado Ricardo Barros (PP-PR). O filme relembra os depoimentos do pediatra Anthony Wong e da médica Nise Yamaguchi, que se declararam contra o isolamento social e a vacina obrigatória. Eles também defenderam a prescrição de hidroxicloroquina, apesar de estudos científicos terem descartado sua eficácia.

Wong foi internado com sintomas de covid em 17 de novembro de 2020. A doença foi confirmada por um exame PCR. Ele morreu em 15 de janeiro de 2021, aos 73 anos, mas o seu atestado de óbito afirma que a morte foi causada por choque séptico, pneumonia, hemorragia digestiva alta e diabetes, sem qualquer menção à covid-19.

Ao ser questionado sobre irregularidades na contratação da vacina indiana Covaxin, o então deputado Luis Miranda disse que não se lembrava do nome do congressista citado por Bolsonaro como suspeito de envolvimento no caso.

“Não dá para fazer um esforço de memória? Seria muito importante”, declarou o senador Renan Calheiros (MDB-AL). “O presidente sabe”, respondeu Miranda. “O senhor não teria mesmo como lembrar o nome do deputado?”, questionou o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). “Você pode falar o nome do deputado? Porque nós já sabemos”, disse a então senadora Simone Tebet (PSB).

Depois de ser muito pressionado pelos congressistas, Miranda afirmou: “Foi o Ricardo Barros que o presidente falou”. Ele disse: “Eu queria ter dito desde o 1º momento, mas vocês não sabem o que eu vou passar”.

Em setembro de 2021, o então ministro da CGU (Controladoria Geral da União), Wagner Rosário, disse que Tebet deveria reler os processos e que ela estava “totalmente descontrolada”.

A declaração foi proferida por Rosário durante a CPI da Covid depois que a então senadora o questionou sobre o caso Covaxin. Ela disse que Rosário era um “engavetador” de investigações sobre o governo federal. A discussão escalou para um bate-boca generalizado, em que senadores acusaram Rosário de machismo e de ser um “moleque de recados” de Jair Bolsonaro.

Os senadores decidem convocar o empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, para depor na CPI da Covid. No entanto, o documentário “Anatomia do Caos” mostra que Randolfe Rodrigues não foi favorável a essa convocação.

O filme de Dandara Ferreira também destaca um trecho do depoimento da advogada Bruna Morato, que representou 12 médicos da empresa Prevent Senior e prestou depoimento na CPI da Covid em setembro de 2021.

A Prevent Senior foi investigada na comissão por ter usado cerca de 700 pacientes com coronavírus em uma pesquisa com remédios do chamado kit covid. Nove morreram. Os testes teriam sido realizados sem autorização dos doentes. Na ocasião, a operadora negou as acusações.

“Anatomia do Caos” mostra alguns depoimentos de pessoas que perderam familiares durante a pandemia, como foi o caso de Márcio Antônio Silva (imagem acima), que falou na comissão sobre a morte de seu filho.

No dia da entrega do relatório final da CPI da Covid, em outubro de 2021, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi questionado por jornalistas sobre a sugestão de indiciamento de seu pai por condutas que dificultaram o combate à pandemia.

Flávio sugere que o então procurador-geral da República, Augusto Aras, vai arquivar “essa maluquice, essa peça de ficção”.