Em 1562, ocorreu o episódio que entraria para a história como o Cerco de Piratininga, uma guerra indígena contra a incipiente vila que constituía o núcleo da futura maior cidade brasileira.
O dia 9 de julho é feriado, apenas no Estado de São Paulo, desde 1997. E muitos ainda não fazem ideia do motivo. Afinal, o que foi a Revolução Constitucionalista de 1932?
Foi um movimento armado, que resultou da revolta generalizada no Estado de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas, que assumira o poder em 1930 com um golpe de Estado, derrubando o então presidente Washington Luís e impedindo a posse de seu sucessor.
Vargas reduziu a autonomia dos Estados do país e indicava interventores para governá-los segundo seus interesses.
Com o apoio de grupos econômicos e políticos locais, o levante — que resultou no maior conflito militar do país no século 20 — teve início em 9 de julho de 1932 e terminou com a rendição do Exército Constitucionalista em 2 de outubro.
Seu estopim foram as mortes de quatro jovens paulistas por tropas getulistas durante uma manifestação no Centro de São Paulo, no dia 23 de maio.
Os confrontos entre constitucionalistas e tropas enviadas por Getúlio — que conseguiu articular uma resposta militar com apoio de todos os demais Estados, exceto Mato Grosso —, no interior do Estado e na capital, deixaram 934 mortos, entre eles, 634 constitucionalistas.
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Mas o 9 de julho que permitiu que a cidade de São Paulo existisse aconteceu muito antes, em 1562 — 462 anos atrás.
Foi quando ocorreu o episódio que entraria para a história como o Cerco de Piratininga, uma guerra indígena contra a incipiente vila que constituía o núcleo da futura maior cidade brasileira.
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O que ocorreu foi uma guerra entre povos indígenas, mais especificamente entre aqueles que haviam firmado alianças com os portugueses colonizadores e aqueles que eram contrários a esses acordos.
De acordo com o historiador Afonso D'Escragnolle Taunay (1876-1958), indígenas das tribos guarulhos, guaianás e carijós firmaram uma coligação e lutaram contra a aliança formada pelo grupo liderado pelo tupiniquim Tibiriçá (? - 1562) e os padres jesuítas que ocupavam o planalto paulista.
Para o historiador Paulo Henrique Martinez, professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp), "foi um dos primeiros conflitos abertos envolvendo o uso e a ocupação da terra e as relações sociais entre interesses conflitantes no planalto paulista: Igreja Católica, colonos, autoridades coloniais, lideranças indígenas e grupos indígenas".
Conforme narrou, em carta, o padre José de Anchieta (1534-1597), o ataque dos indígenas ocorreu, de forma organizada, na parte da manhã. Fazia frio.
O foco foi o ponto onde estava localizado o colégio dos jesuítas, exatamente onde se encontra hoje a igreja do Pátio do Colégio. Os indígenas estavam "pintados e emplumados", seguindo a tradição dos mesmos em episódios de guerra.
Eles gritavam palavras de ordem, em tupi, como "morte aos brancos" ou "morte aos portugueses". A operação foi liderada por um líder indígena chamado Jaguaranho (? - 1562), sobrinho de Tibiriçá.
E coube a Tibiriçá o papel de herói, para a ótica portuguesa, dessa batalha. Nas palavras do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, que narra o episódio em seu livro A Capital da Solidão, o tupiniquim se tornou o "salvador de São Paulo de Piratininga, diante do maior ataque que sofreu nos primeiros anos".
"Isso ocorreu num mês de julho em que fazia muito frio. Os inimigos, numa coligação de índios das redondezas, alguns dos quais haviam morado na aldeia dos padres e agora a renegavam, atacaram pela manhã, pintados e emplumados, e fazendo grande alarido", pontua o jornalista em seu livro.
"Entre eles vinham inclusive membros da família de Tibiriçá, de modo que a guerra ganhou a feição de terrível luta fratricida", aponta Toledo.


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