Patrimônio rural, criatividade gastronômica e produção associada ao turismo mostram como a mexerica de Belo Vale revela como cultura, gastronomia, memória afetiva e turismo podem florescer a partir de uma única fruta.
A doçura, virou destino! Conheça a mexerica de Belo Vale e a força da produção associada ao turismo! - (crédito: Uai Turismo) Participando do FESTUR Festival de Turismo em Ouro Preto a poucos dias, me deparei com uma mesa linda, decorada por mexericas, no espaço promocional do município de Belo Vale, uma importante cidade, localizada no quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, a 82 km de Belo Horizonte que é considerada uma das mais antigas povoações do estado.
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Particularmente, já conhecia Belo Vale e como turista, fui atrás de um povoado, que cresceu durante o ciclo do ouro e se destacava pela sua grande herança afro-brasileira, tanto que um dos atrativos que mais me impressionou, foi o Museu do Escravo, que abriga um acervo de mais de três mil peças que retratam a resistência negra, a vida nas senzalas e a beleza da arquitetura colonial.
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Historicamente, por lá, também vale uma visita à Fazenda Boa Esperança, que foi construída entre 1760 e 1780 e foi residência do Barão de Paraopeba, simplesmente maravilhosa.
Mas, na verdade, o que me surpreendeu, foi descobrir a vocação para a inovação gastronômica, a partir da mexerica, que é uma das frutas que mais gosto.
No Festur, conheci a dedicada Mestra Genice Teixeira, que ao lado de seu filho Pablo Braga, dão vida e sabor ao Empório Fazenda Jatobá, que valoriza a cultura, os sabores, os saberes e as tradições do meio rural mineiro.
Os produtos do Empório conectam às memórias da roça às receitas de família fortalecendo o turismo rural e gastronômico naquela cidade.
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Curioso, quis saber se a Fazenda Jatobá é aberta à visitação e descobri, que O Empório tem esse nome em homenagem a fazenda dos pais da Mestra Genice, e é situada no município de Belo Vale. Genice destaca, que inclusive a logo do Empório, corresponde a foto dos meus pais.
Embora ainda não receba visitações, o Empório Fazenda Jatobá mantém uma importante conexão com a atividade turística por meio da valorização da gastronomia rural e contribui para a divulgação do patrimônio gastronômico local.
Minas Gerais é pródiga em transformar produtos da terra em patrimônio cultural. Foi assim com o queijo, com o café, com a cachaça e, em algumas regiões, também com a mexerica.
Em Belo Vale, a mexerica deixou de ser apenas uma atividade agrícola para se tornar um elemento de identidade territorial, capaz de gerar emprego, renda e experiências turísticas autênticas.
Conhecida como a “Terra da Mexerica Ponkan”, Belo Vale consolidou-se ao longo das últimas décadas como uma das maiores produtoras da fruta em Minas Gerais, alcançando números expressivos de produção e abastecendo mercados de diversos estados brasileiros. A cultura da mexerica tornou-se uma das principais bases da economia local e contribuiu significativamente para a permanência das famílias no campo.
Mesmo que pareça completamente integrada ao cotidiano brasileiro, a mexerica tem origens distantes. As variedades de tangerinas, grupo ao qual pertence a Ponkan, surgiram no sudeste asiático, especialmente em regiões que hoje correspondem à China, Índia e parte do Japão.
A variedade Ponkan, cultivada em larga escala em Belo Vale, chegou ao Brasil por meio dos processos de introdução de espécies frutíferas ocorridos entre os séculos XIX e XX. Com frutos grandes, casca fácil de retirar, aroma intenso e sabor extremamente doce, a variedade encontrou condições ideais para adaptação em várias regiões brasileiras, especialmente nas áreas de altitude de Minas Gerais.
Curiosamente, o sucesso da mexerica em Belo Vale não ocorreu por acaso. A combinação entre relevo montanhoso, altitudes elevadas, temperaturas mais amenas durante parte do ano e boa distribuição das chuvas cria um ambiente extremamente favorável ao desenvolvimento dos pomares.
Técnicos da extensão rural destacam justamente o clima e a altitude como fatores determinantes para a excelente qualidade da produção local.
Uma das curiosidades mais interessantes sobre a mexerica é a diversidade de nomes que recebe pelo Brasil. Em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e boa parte do Centro-Oeste, predomina o nome “mexerica”. Já em diversas regiões do Nordeste, é comum ouvir “tangerina”.
No Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a mesma fruta costuma ser chamada de “bergamota”. Existem ainda outras denominações regionais, como mimosa, poncã ou simplesmente ponkan, dependendo da variedade cultivada.



