“Queremos criar um percurso contínuo que vá da validação em Portugal à expansão internacional, garantindo que as soluções...
“Queremos criar um percurso contínuo que vá da validação em Portugal à expansão internacional, garantindo que as soluções desenvolvidas no nosso ecossistema têm condições reais para competir e afirmar-se no mercado global”, afirma Pedro Mello Breyner, novo diretor executivo do NEST.
Pedro Mello Breyner assumiu recentemente a direção executiva do NEST – Centro de Inovação do Turismo, num momento em que a organização procura consolidar o seu papel como plataforma de ligação entre start-ups, empresas, entidades públicas, academia e destinos turísticos. Com mais de 20 anos de experiência no setor, num percurso que cruza política pública, internacionalização, investimento e apoio às empresas, o novo diretor executivo quer reforçar o impacto concreto da inovação no turismo português.
Nesta entrevista, Pedro Mello Breyner fala dos desafios que o turismo enfrenta, da importância de aproximar inovação, território e mercado, do papel das start-ups na transformação do turismo e da ambição de afirmar Portugal como um laboratório internacional de inovação aplicada ao setor.
Assume a direção executiva do NEST num momento de consolidação da organização. Que marca pretende imprimir nesta nova etapa?
O NEST tem desempenhado um papel muito importante na promoção da inovação no turismo português e o meu objetivo é dar continuidade a esse trabalho, reforçando simultaneamente a sua capacidade de gerar impacto concreto no setor. Quero que o NEST seja cada vez mais uma ponte entre quem desenvolve soluções inovadoras e quem as pode aplicar no terreno, ajudando as empresas a responder aos desafios atuais e futuros do turismo.
A sua nomeação é apresentada como uma aposta na continuidade, mas também numa ambição reforçada. Onde considera que existe maior margem para evolução?
Há ainda um enorme potencial por explorar na aproximação entre inovação e mercado. Podemos reforçar a ligação entre start-ups, empresas, instituições de ensino e entidades públicas, acelerar a adoção de novas tecnologias e aumentar a projeção internacional do ecossistema português de inovação turística. Acredito que o próximo passo passa por transformar ainda mais conhecimento e talento em soluções com aplicação prática e impacto económico.
O seu percurso cruza política pública, internacionalização, investimento e apoio às empresas. De que forma esta experiência poderá contribuir para a missão do NEST?
Ao longo do meu percurso tive a oportunidade de trabalhar em áreas distintas, mas complementares, ligadas ao desenvolvimento económico e empresarial. Esta experiência permitiu-me compreender as necessidades de diferentes agentes e perceber como se criam condições para o crescimento e a inovação. O turismo é um setor particularmente transversal e a capacidade de construir pontes entre start-ups, empresas, investidores, academia e entidades públicas será uma mais-valia para reforçar a missão do NEST.
Quais são, atualmente, os principais desafios que o setor do turismo português precisa de enfrentar através da inovação?
O turismo enfrenta desafios cada vez mais exigentes, desde a escassez de recursos humanos à necessidade de aumentar a produtividade, melhorar a sustentabilidade e responder a consumidores mais informados e exigentes. A inovação tem um papel determinante porque permite encontrar novas formas de operar, de criar valor e de melhorar a experiência dos visitantes, tornando simultaneamente as empresas mais competitivas.
Muitas empresas, sobretudo as de menor dimensão, continuam a ter dificuldades na adoção de tecnologia. Como pode o NEST aproximar a inovação destas organizações?
A inovação só faz sentido quando responde a necessidades concretas. O papel do NEST passa por ajudar as empresas a identificar soluções adequadas à sua realidade, simplificar o acesso à tecnologia e demonstrar os benefícios que esta pode trazer para a sua atividade. A capacitação, a experimentação e a partilha de boas práticas continuarão a ser instrumentos fundamentais para aproximar a inovação das pequenas e médias empresas.
O NEST promove a ligação entre start-ups, empresas, setor público e academia. O que falta para que esta colaboração se traduza em mais soluções aplicadas no mercado?
Temos hoje um ecossistema bastante mais maduro do que há alguns anos, mas ainda existe margem para reforçar a colaboração entre os diferentes intervenientes. Precisamos de criar mais oportunidades para testar soluções em contexto real e aproximar quem desenvolve tecnologia de quem enfrenta desafios concretos no dia a dia. É muitas vezes nessa fase de validação que se determina o sucesso de uma inovação.
Para além disso, é essencial garantir um alinhamento mais rigoroso entre os problemas sentidos pelo setor, os desafios emergentes dos mercados e as soluções que estão a ser desenvolvidas. Quando esta correspondência é clara, a inovação torna‑se mais relevante, mais facilmente adotada e com maior potencial de gerar impacto económico. Muitas vezes, o que falta não é tecnologia, mas sim uma leitura partilhada das prioridades e das necessidades reais do setor.
O NEST pode desempenhar aqui um papel determinante, funcionando como facilitador desse diálogo, ajudando a clarificar desafios, a identificar oportunidades e a orientar o desenvolvimento de soluções para onde existe maior valor. Quanto mais afinada estiver esta ligação entre problema, mercado e inovação, maior será a capacidade de transformar colaboração em resultados concretos no terreno.
Que papel podem desempenhar as startups na transformação do turismo português e como pretende o NEST apoiá-las na validação, crescimento e internacionalização?
As start-ups desempenham um papel fundamental na transformação do turismo, trazendo novas perspetivas, maior agilidade e soluções inovadoras para responder aos desafios do setor. O NEST deve continuar a criar condições para que estas empresas possam testar e validar as suas soluções em contexto real, estabelecer parcerias estratégicas e acelerar o seu crescimento.
Ao mesmo tempo, sabemos que a internacionalização é um passo decisivo para ganhar escala e posicionar Portugal como referência global em inovação turística. Por isso, pretendemos reforçar a criação de parcerias com centros de inovação do turismo no estrangeiro, promovendo a troca de conhecimento, o acesso a novos mercados e a integração em redes internacionais. Paralelamente, queremos organizar missões a mercados externos e marcar presença em certames internacionais de inovação, permitindo às startups portuguesas ganhar visibilidade, testar as suas propostas noutros contextos e estabelecer contactos estratégicos que acelerem o seu crescimento global.



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