Sem medir adesão real, senadores mudaram de posição e usarão votação para encerrar protestos
Priorizar nos meus resultados Google A paralisação dos caminhoneiros não chegou a interromper as operações do Porto de Santos, mas foi suficiente para mudar a disposição do Senado em relação à Medida Provisória 1.343, a MP do Frete. O Radar Econômico apurou com dois senadores que a tendência agora é votar a medida antes que ela perca a validade, na quinta-feira, 16.
A virada ocorreu menos pelo impacto efetivamente registrado nesta segunda-feira e mais pelo receio do que poderia acontecer caso o Congresso deixasse a MP 1.343 caducar. Senadores admitiram não dispor de informações precisas sobre a extensão nacional da mobilização e temiam que a paralisação ganhasse adesão nos próximos dias.
A incerteza acabou jogando a favor dos caminhoneiros. Em Santos, a Autoridade Portuária informou que as operações transcorreram normalmente e registrou apenas um bloqueio parcial, inferior a uma hora. Entidades de Santa Catarina decidiram não aderir ao movimento, enquanto em outros estados prevaleceu uma postura de espera.
Em Brasília, porém, o cálculo foi outro. Se a MP perdesse a validade, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, passaria a ser apontado pelas lideranças dos caminhoneiros como responsável por uma eventual escalada. Diante desse risco, senadores passaram a defender a aprovação de um texto intermediário.
A votação também será usada como moeda de troca para desmobilizar os protestos. A ideia é apresentar o avanço da MP como resposta concreta do Congresso e, em contrapartida, obter das lideranças o encerramento da paralisação antes que ela alcance rodovias, refinarias e outros centros logísticos.
O acordo não significa que o Senado aceitará integralmente o texto aprovado pela Câmara. Alcolumbre trabalha em um meio-termo para retirar ou suavizar os pontos de maior resistência empresarial. Mas o principal movimento político já ocorreu: a ameaça de uma greve maior conseguiu destravar uma MP que caminhava para caducar.




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