Os três maiores bancos do Japão e o estatal Banco Japonês para Cooperação Internacional (JBIC) iniciaram o financiamento da primeira leva de projetos acertados no acordo tarifário entre Japão e Estados Unidos. No entanto, já surgem sinais de que levantar os recursos necessários para as próximas etapas não será uma tarefa simples.
O MUFG Bank, o Sumitomo Mitsui Banking Corporation e o Mizuho Bank decidiram conceder, juntos, até 350 bilhões de ienes (US$ 2,2 bilhões) em empréstimos para os primeiros projetos nos Estados Unidos, com a previsão de ampliar esse montante futuramente.
Washington e Tóquio também fecharam uma segunda rodada de investimentos, que pode chegar a quase 12 trilhões de ienes. Embora grandes projetos, como um reator nuclear de nova geração, estejam em preparação, as instituições responsáveis pelo financiamento enfrentam dificuldades para acompanhar o ritmo.
O principal desafio é garantir recursos em dólares. Pelo plano fiscal de 2026, o JBIC ficará responsável por um terço do financiamento, enquanto os bancos privados arcarão com os dois terços restantes.
Uma estimativa baseada nos projetos já acordados indica que apenas as instituições financeiras privadas precisarão conceder mais de 40 trilhões de ienes (US$ 247 bilhões) em empréstimos denominados na moeda americana.
No fim de março, os três maiores bancos japoneses tinham uma carteira conjunta de empréstimos no exterior de cerca de 140 trilhões de ienes. Os novos investimentos nos Estados Unidos elevariam esse volume em aproximadamente 30%.
"Não é um montante que possa ser decidido com base na lógica tradicional de concessão de crédito, especialmente porque está denominado em dólares", afirmou um alto executivo do setor bancário.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, os bancos solicitaram discretamente apoio ao Ministério das Finanças e ao Banco do Japão (BoJ) para obter financiamento em dólares destinado aos investimentos. As discussões entre autoridades do setor público e representantes das instituições financeiras já começaram.
Caso tenham de captar os recursos por conta própria, os bancos dependerão principalmente do aumento dos depósitos em moeda estrangeira ou da compra de dólares no mercado. Compras em grande escala, porém, tendem a pressionar o iene para baixo.
"Vender 1 trilhão de ienes para comprar dólares enfraqueceria a moeda japonesa em cerca de 1 iene", afirmou Tohru Sasaki, estrategista-chefe do Fukuoka Financial Group.
As instituições avaliam alternativas para obter dólares sem causar impactos significativos ao mercado. Entre as propostas estão operações do Banco do Japão para emprestar dólares aos bancos privados, o uso da conta especial de reservas cambiais do governo e a ampliação das linhas de crédito do JBIC.
Essas ideias já teriam sido apresentadas ao governo e ao banco central, mas todas enfrentam obstáculos e ainda não há uma solução definida.
Historicamente, as operações do Banco do Japão para fornecer dólares destinam-se apenas a preservar a estabilidade do sistema financeiro em momentos de crise, quando a liquidez da moeda americana se torna escassa. A última grande intervenção desse tipo ocorreu durante a pandemia de Covid-19, em 2020.
"O fornecimento de dólares ocorre dentro de um arcabouço coordenado entre bancos centrais. Utilizá-lo fora desse propósito provavelmente não seria aceito", afirmou um integrante do BoJ.
Um alto funcionário do Ministério das Finanças ponderou que "os empréstimos são desembolsados ao longo de vários anos. Não há necessidade de uma quantidade enorme de dólares de uma só vez".
A avaliação indica que, ao menos por enquanto, as autoridades acreditam que os grandes bancos conseguirão administrar a demanda sem apoio extraordinário do governo ou do banco central.
Pelo acordo entre Japão e Estados Unidos, Tóquio deve disponibilizar o financiamento em dólares em até 45 dias úteis após o presidente americano selecionar os projetos de investimento e notificá-lo oficialmente. A primeira rodada seguiu esse cronograma.
Da mesma forma, os empréstimos para os projetos da segunda rodada, acertados em meados de março, deverão ser concluídos em até um mês e meio após a aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os investimentos japoneses nos Estados Unidos foram negociados em troca da redução das tarifas americanas sobre automóveis e outros produtos japoneses.
Entretanto, em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que as tarifas "recíprocas" impostas pelo governo Trump eram inconstitucionais, lançando dúvidas sobre a base legal dessas medidas.



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