O assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, executado com 11 tiros em fevereiro de 2024 em frente à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Centro do Rio de Janeiro, voltou ao centro das atenções após o jogador Richarlison relembrar a disputa ju…
O assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, executado com 11 tiros em fevereiro de 2024 em frente à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Centro do Rio de Janeiro, voltou ao centro das atenções após o jogador Richarlison relembrar a disputa judicial envolvendo uma mansão de cerca de R$ 10 milhões em Angra dos Reis.
O caso ganhou nova repercussão depois que a advogada Ana Paula Zantut publicou um vídeo explicando o imbróglio imobiliário. Richarlison comentou a publicação afirmando ter investido aproximadamente R$ 10 milhões no imóvel e que, mesmo assim, perdeu a posse da propriedade.
Em seguida, o jogador compartilhou o vídeo nos stories do Instagram e marcou o senador Flávio Bolsonaro.
Embora Flávio não seja parte da ação judicial, seu nome aparece no caso por causa da amizade com o advogado Willer Tomaz, vencedor da disputa pela posse do imóvel.
Os advogados de Richarlison chegaram a indicar Flávio como testemunha no processo. O senador visitou a mansão em julho de 2020, acompanhado da esposa e do ex-senador Wilder Morais, quando o imóvel ainda era ocupado pelo antigo possuidor.
Meses depois, em janeiro de 2021, Flávio voltou ao local, desta vez acompanhado de Willer Tomaz. Na ocasião, o advogado demonstrou interesse em adquirir o imóvel, mas foi informado de que ele já havia sido vendido para uma empresa ligada ao atacante da Seleção Brasileira.
Na época, Flávio afirmou que não possuía qualquer ligação com a negociação ou com o processo judicial, mantendo apenas uma relação de amizade com Willer Tomaz.
Quem assumiu posteriormente a defesa de Tomaz foi o advogado Rodrigo Marinho Crespo.
Em 26 de fevereiro de 2024, Crespo foi assassinado em plena luz do dia, em frente à sede da OAB, no Centro do Rio de Janeiro.
Segundo testemunhas, um veículo parou ao lado do advogado. O atirador teria chamado Rodrigo pelo nome antes de efetuar 11 disparos e fugir logo em seguida.
À época, Crespo representava a empresa WT Administração de Imóveis e Bens, ligada a Willer Tomaz, justamente na disputa judicial pela mansão de Angra dos Reis.
Ele havia assumido o caso após a saída do advogado Luis Felipe Salomão, filho do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Luis Felipe Salomão.
Até hoje, o assassinato de Rodrigo Marinho Crespo permanece cercado de questionamentos, e as autoridades nunca estabeleceram qualquer relação pública entre sua morte e os processos em que atuava profissionalmente.
O conflito judicial teve início dois anos depois de uma empresa ligada a Richarlison adquirir a propriedade.
Apesar de o jogador ter comprado o imóvel diretamente do proprietário, a matrícula ainda continha um antigo registro de cessão de posse, datado de 1968.
Posteriormente, uma empresa de Willer Tomaz adquiriu esse direito possessório e ingressou na Justiça com uma ação de reintegração de posse.
Segundo a advogada Ana Paula Zantut, o caso envolve a diferença entre propriedade e posse. Embora Richarlison tenha adquirido a propriedade formal do imóvel, a posse permanecia vinculada ao antigo registro, posteriormente transferido para a empresa de Tomaz.
Ela também sustenta que uma das pessoas envolvidas na transferência da posse alegou ter sido induzida a erro ao assinar o contrato. Caso essa alegação fosse reconhecida pela Justiça, o documento poderia ser anulado, alterando o resultado da disputa.
A defesa de Willer Tomaz rejeitou integralmente essa versão. Em nota, afirmou que o processo transitou em julgado em junho de 2025, com decisão definitiva favorável ao advogado, e que não existe mais discussão judicial sobre o direito ao imóvel.
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