Giancarlo Takegawa, Diretor-Geral da Air Canada Brasil e Conselheiro da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC). Crédito: Arquivo Pessoal A relação entre Brasil e Canadá vive um momento de expansão acelerada, impulsionada pelo crescimento econômico, pelo aume…

Giancarlo Takegawa, Diretor-Geral da Air Canada Brasil e Conselheiro da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC). — Foto: Crédito: Arquivo Pessoal

A relação entre Brasil e Canadá vive um momento de expansão acelerada, impulsionada pelo crescimento econômico, pelo aumento da mobilidade internacional e pelo fortalecimento da conectividade aérea entre os dois países. Em 2024, o comércio bilateral de mercadorias somou US$ 12,7 bilhões, número que consolida o Brasil como o principal parceiro comercial do Canadá na América do Sul, segundo dados do Global Affairs Canada e Destination Canada. Os investimentos seguem na mesma trajetória: o estoque de capital canadense aplicado no Brasil chegou a US$ 19,8 bilhões, enquanto os investimentos brasileiros no Canadá somam US$ 15,9 bilhões, conforme o órgão governamental canadense.

A aproximação entre os dois países também se reflete na presença de pessoas. De acordo com a Immigration, Refugees and Citizenship Canada (IRCC), cerca de 143,5 mil brasileiros vivem atualmente em território canadense, e mais de 12,7 mil estudantes brasileiros possuem permissões de estudo de longa duração no país. Nesse cenário, a aviação assume um papel que vai muito além do transporte de passageiros: torna-se uma peça-chave para impulsionar comércio, investimentos, intercâmbios acadêmicos e turismo entre as duas nações. A Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) acompanha de perto esse movimento, monitorando o avanço das oportunidades de negócios entre os dois mercados.

Giancarlo Takegawa, Diretor-Geral da Air Canada Brasil e Conselheiro da CCBC, explica como a conectividade aérea tem sustentado essa aproximação, A companhia é a única a operar voos diretos entre Brasil e Canadá durante o ano inteiro, posição que coloca Takegawa em um observatório privilegiado das transformações que vêm redesenhando essa relação bilateral.

A relevância do Brasil dentro da estratégia da companhia na América Latina é um ponto de destaque para Giancarlo Takegawa. Segundo ele, o país reúne características que o tornam um parceiro natural para o Canadá: economia diversificada, relacionamento comercial consolidado e uma população que demonstra interesse crescente pelo destino canadense. Esse interesse não é apenas percepção. Há 13 anos consecutivos o Canadá lidera o ranking de destino mais procurado pelos estudantes brasileiros, de acordo com a pesquisa anual da Belta (Brazilian Educational & Language Travel Association).

"O Brasil representa uma ponte fundamental entre dois países que compartilham valores como diversidade, inovação e desenvolvimento sustentável", afirma o executivo, que também destaca o crescimento do interesse brasileiro por turismo, negócios e viagens para visitar familiares e amigos no Canadá.

Para ele, a operação da companhia no país

"tem um papel que vai além de conectar passageiros: ela fortalece relações econômicas, culturais e institucionais entre os dois mercados".

Mais do que conectar passageiros, a Air Canada fortalece relações econômicas, culturais e institucionais entre Brasil e Canadá. — Foto: Crédito: Air Canada

Novo perfil do viajante brasileiro

Desde a retomada das viagens internacionais, a Air Canada observou não apenas uma recuperação da demanda brasileira, mas uma mudança de comportamento.

"Vimos uma transformação no comportamento do viajante. O brasileiro voltou a viajar com um perfil mais diversificado e com maior interesse por experiências completas", explica Takegawa.

Hoje, os principais motores da demanda são o intercâmbio, a educação, as viagens corporativas, as visitas a familiares e amigos e as viagens combinadas com outros destinos. O turismo, no entanto, vem ganhando força de forma consistente e, segundo o executivo, deve se tornar uma das maiores frentes de demanda, à medida que o viajante brasileiro passa a explorar diferentes regiões do território canadense aproveitando a malha aérea da companhia.

O executivo também nota uma mudança no perfil desse passageiro: mais informado e mais exigente.

"Vemos um viajante mais informado, que busca qualidade, segurança, conforto e uma experiência integrada desde o planejamento até o desembarque no destino e em seu retorno para o Brasil", diz.

"Nessa jornada nossa prioridade número um é a segurança, sempre!"

Para além de Toronto, Montreal e Vancouver

Os grandes centros urbanos canadenses continuam sendo a principal porta de entrada dos brasileiros, mas o interesse por experiências fora do eixo tradicional tem crescido de forma expressiva. Segundo Takegawa, destinos como Whitehorse, no Yukon, e Yellowknife, nos Territórios do Noroeste, vêm ganhando espaço entre os brasileiros interessados em observar a aurora boreal, um fenômeno que, segundo ele, pode ser vivido ali "por valores e condições melhores que em outros países mais conhecidos do brasileiro para este tipo de experiência", já que o dólar canadense costuma ser de 30% a 40% mais barato que o dólar americano.

Experiências como a aurora boreal no Canadá podem ser vivenciadas por valores e condições melhores que em outros países. — Foto: Crédito: Global Tourisme

Na educação, o Canadá segue na liderança entre os brasileiros que buscam cursos, universidades e programas de aperfeiçoamento. Já no segmento corporativo, a conectividade direta entre os dois países facilita negócios em setores como tecnologia, energia, mineração, inovação e comércio internacional, um fluxo que, segundo o executivo, tem se intensificado também no sentido inverso, com mais produtos brasileiros chegando ao mercado canadense.