Empresa registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, mas descarte de dividendos extraordinários derrubou papéis na bolsa

Compartilhar matériaAs ações da Petrobras encerraram a sessão desta sexta-feira (07) em queda, mesmo após a companhia divulgar um lucro líquido recorde de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre — resultado quase o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior. A reação negativa do mercado foi atribuída, principalmente, à sinalização de que não haverá distribuição de dividendos extraordinários ao longo do ano. A editoria e analista de Economia da CNN Lucinda Pinto comenta o tema.

Segundo Lucinda, houve inicialmente uma reação positiva dos investidores ao balanço, mas os papéis recuaram ao longo do pregão. "Teve uma primeira reação positiva, mas depois as ações caíram bastante", afirmou.

A Petrobras anunciou a distribuição de R$ 17 bilhões em dividendos, volume considerado expressivo. No entanto, parte dos investidores aguardava a declaração de dividendos extraordinários, o que não se concretizou.

Fernando Melgarejo, diretor financeiro da companhia, concedeu entrevista à CNN na manhã desta sexta-feira (7) e foi categórico ao afastar essa possibilidade. "Obviamente, isso é a última alternativa, porque a gente tem algo que é mais rentável que distribuir dividendos extraordinários, então a ideia é que esse ano, muito provavelmente, a probabilidade é muito baixa de ter extraordinário", declarou Melgarejo.

O dirigente acrescentou que a estratégia da empresa é concentrar recursos em projetos rentáveis e, quando possível, acelerar sua execução.

"A gente vai sim ficar dentro dos projetos que temos aqui, que são bastante rentáveis, e até acelerar, toda vez que a gente acelera um projeto sem aumento de custo, a gente está antecipando receita que é a produção de óleo", explicou.

Além da questão dos dividendos, analistas de mercado passaram a observar com cautela a estratégia de alocação de capital da Petrobras. A empresa registrou produção recorde, mas segue acelerando seus investimentos, o que gerou questionamentos sobre a eficiência do uso dos recursos.

Lucinda Pinto destacou ainda que as ações da companhia já vinham subindo nos últimos tempos, antecipando um balanço positivo, o que contribuiu para o movimento de ajuste verificado nesta sessão.

Em termos de preços, os papéis da Petrobras iniciaram a semana cotados a R$ 43,00 e encerraram o pregão desta sexta-feira a R$ 40,94, registrando queda de 2,99% apenas no dia. O preço do petróleo tipo Brent também contribuiu para o cenário negativo: o barril, que começou a semana a US$ 83,77, fechou em US$ 82,00.