Enquanto Portugal e Brasil já aplicam acordo de forma plena, dois maiores países da língua portuguesa na África alegam especificidades locais e custos para não adotá-lo.
https://p.dw.com/p/5HCOrAnúncioAngola e Moçambique são os únicos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que ainda não ratificaram o Acordo Ortográfico de 1990, apesar de terem integrado o grupo signatário do documento, assinado em Lisboa em 16 de dezembro de 1990.
No caso de Angola, o documento não foi aprovado nem em Conselho de Ministros nem ratificado pelo Parlamento.
A recusa formal para ratificar o documento tem sido justificada pelo governo angolano e pela Academia Angolana de Letras por o texto ignorar especificidades do português falado em Angola e sua interação com as línguas nacionais (como as línguas bantas), bem como a ausência de um vocabulário ortográfico comum.
Em Moçambique alega-se o peso das línguas nacionais e os custos da implementação, motivos invocados desde a aprovação no Conselho de Ministros, em 2012, poucos meses antes de o país africano assumir a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O documento não foi ainda ratificado pelo parlamento.
No caso da Guiné-Bissau, o acordo foi ratificado em 2009, mas nunca foi posto em prática. Embora o português seja a língua oficial, é em crioulo que os guineenses se entendem e nas mais de 30 línguas regionais que compõem o mosaico étnico cultural do país. De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo governo, menos de 5% da população fala português.
Portugal e Brasil lideraram o processo de transição e já aplicam o Acordo Ortográfico de 1990 de forma plena, exclusiva e obrigatória.




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