Comportamento obssessivo é retratado em produções como a novela 'Quem Ama Cuida' e a série 'Bebê Rena'

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5.jul.2026 às 4h00 Atualizado: 5.jul.2026 às 10h37

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Brigitte, personagem de Tatá Werneck na novela "Quem Ama Cuida", da Globo, invade a casa de seus ex-namorados e ficantes, aparece de surpresa em lugares que eles frequentam e envia mensagens insistentes. A atriz retrata um comportamento comum fora das telas, o stalking –ou perseguição–, que é considerado crime no Brasil desde 2021.

Um homem de 35 anos que trabalha na segurança pública do Rio de Janeiro, e pediu para não ter seu nome revelado pela reportagem, lida com uma cyberstalker como a Brigitte há oito anos.

Ele conta que conheceu uma mulher em um aplicativo de relacionamentos. Os dois tiveram um encontro, mas ele preferiu não continuar a relação. Ela não aceitou bem a rejeição, ele diz, e começou a enviar flores, mandar mensagens e fazer dezenas de ligações por dia.

O fluminense calcula que ela usou quase cem números telefônicos diferentes para entrar em contato. Além disso, tentou invadir suas redes sociais e enviou mensagens para ex-namoradas. Num episódio, a mulher se passou por ele e importunou uma ex até que ela solicitasse uma medida protetiva contra o homem. Ele moveu dois processos contra a stalker e conseguiu uma medida cautelar.

Segundo a legislação brasileira, a pena é de reclusão de seis meses a dois anos, mais multa, e é agravada quando o crime é cometido contra mulher por razão de gênero.

A lei 14.132 tipifica como stalking a perseguição reiterada, presencial ou digital, quando há ameaça à integridade física ou psicológica ou invasão de privacidade.

A conduta obsessiva foi ilustrada também em outras produções recentes, como a popular "Bebê Rena" (2024), série da Netflix baseada em uma história real.

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Para configurar crime, o comportamento precisa se repetir, não basta um único episódio, explica Mariana Rieping, advogada criminalista especialista em crimes relacionados a gênero e membro da Comissão Especial de Combate à Violência Doméstica do Conselho Federal da OAB.

A insistência é a principal característica do stalking, diz a advogada. O stalker não aceita os limites impostos e insiste em manter contato ou monitorar a vida da vítima. São formas de perseguição as "esperas de surpresa" na porta de casa, do trabalho ou da faculdade e as aparições "por coincidência" em locais frequentados pela pessoa.

Com as redes sociais, vieram novas formas de cometer o crime. O cyberstalking pode ser mais difícil de identificar, diz a advogada especialista em direito digital Gisele Truzzi. "Muitas vezes, a relação começa com uma admiração e migra para um comportamento tóxico", diz.

O principal indício é a interação excessiva, que ultrapassa o limite de fã, resume Truzzi. "É a soma de atitudes que envolvem perseguir, constranger, intimidar e ameaçar."

A prevalência de stalkers homens é maior do que a de mulheres, afirma Ana Lara Castro, procuradora de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul e autora do livro "Stalking e Cyberstalking" (Tirant Lo Blanch Brasil). Para ela, isso é fruto da desigualdade de gênero, que ensina meninos a não aceitar o "não".