Messi comemora gol da Argentina contra Argélia na Copa do Mundo. Foto: Roberto Schmidt / AFP Apesar dos recordes de Lionel Messi em Copas, o artigo questiona a exaltação ao jogador argentino por parte de brasileiros, destacando a falta de reciprocidade e a proteção da arbitragem. O post Aplausos, mas com moderação apareceu primeiro em Diário do Pará .

Aplausos, mas com moderação Aplausos, mas com moderação Aplausos, mas com moderação Aplausos, mas com moderação

Recordes devem ser comemorados e enaltecidos. Por isso, é aceitável a louvação em torno de Lionel Messi pelos 18 gols em Copas – cinco apenas neste Mundial, em dois jogos contra defesas fracas. E é surpreendente que os louvores ao ídolo argentino partam de muitos brasileiros. Sinal claro de evolução no aspecto desportivo, pois a recíproca não é verdadeira.

Os argentinos menosprezam o futebol brasileiro desde sempre, diminuem todas as glórias (até hoje insuperáveis) de Pelé e Garrincha, além do racismo explícito de sempre. Só como exercício básico, desafio qualquer um a buscar uma imagem de argentinos vestindo camisa da Seleção Brasileira com o nome de Vini Jr. ou Ronaldo nas costas.

Aqui no Brasil, ao contrário, é possível ver a todo instante garotos usando camisas de Lionel Messi, orgulhosamente. Em 2022, para surpresa geral, a Argentina teve a torcida de boa parte dos brasileiros na Copa que foi trabalhada para que Messi pudesse ser ungido com o título máximo.  

A Copa deste ano parece seguir na mesma direção. Alguns episódios demonstram que o bicampeonato de Messi & cia. pode estar a caminho. Logo na partida inaugural, contra a Argélia, o camisa 10 deveria ter sido expulso, mas nem amarelo recebeu – se fosse expulso, teria que ser suspenso por até três jogos. De Paul e Otamendi também baixaram o sarrafo, mas o árbitro Szymon Marciniak fez vista grossa.

Ontem, com Messi em campo novamente, mais dois belos gols do craque. Ninguém questiona o talento ímpar. É um fora-de-série indiscutível, com a sorte extra de ser extremamente protegido pelas arbitragens, e não é de agora. Nas últimas nove partidas em Copas, a Argentina foi beneficiada com seis penalidades. Um recorde, seguramente.

É gigantesca a importância de Messi para o futebol moderno. Até 2022, Messi era criticado pelos argentinos por não mostrar na seleção o que fazia pelo Barcelona. Aí veio a Copa dos sonhos, no Qatar, com penais em abundância, para garantir a glória suprema, como nunca antes tinha sido permitido a nenhum outro astro. Pelé, por exemplo, era caçado em campo pelos adversários, com a complacência criminosa dos árbitros.

Faltava mais um recorde especial a Messi: o de maior artilheiro dos mundiais, superando o alemão Klose. E ele ainda poderá fazer um caminhão de gols nos próximos jogos. Além de pegar o grupo mais garapa da Copa, com equipes tecnicamente sofríveis (Áustria, Argélia e Jordânia), a Argentina deve cumprir uma rota tranquila até as semifinais: Cabo Verde (16-avos), Egito (oitavas) e Colômbia (quartas).

Não há milagres, diriam os céticos. Se não for milagre, então é pura genialidade. O brilho individual do craque Messi merece e deve ser aplaudido, mas com moderação, por todas as razões já expostas. E até por respeito aos craques brasileiros, tão gigantes ou maiores do que ele.

Comparação aumenta o peso da responsabilidade

A ascensão de Messi e o domínio argentino trazem como único benefício para o futebol brasileiro a pressão por uma atitude mais competitiva e comprometida no Mundial. No sentido coletivo, a Seleção não é inferior ao time argentino, com a exceção óbvia do camisa 10, mas a vantagem deles está no entrosamento de uma equipe que quase não mudou em quatro anos.

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