Ex-primeira-dama afirma que vai se 'dedicar integralmente' aos cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e a filha.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) anunciou nesta terça-feira (30/6) que deixou a presidência do PL Mulher.
Em um comunicado nas redes sociais, Michelle afirmou que a decisão foi tomada após se reunir com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e tem como objetivo se "dedicar integralmente" aos cuidados com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e a filha.
"Após muito refletir com meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar — integralmente — aos cuidados para com o meu marido e minha filha", escreveu.
Desde março deste ano, Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar em Brasília devido ao seu quadro de saúde.
A medida foi concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por um período inicial de 90 dias, após o ex-presidente ser internado no hospital com uma broncopneumonia.
A saída de Michelle do PL Mulher ocorre poucos dias depois dela e do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protagonizarem uma crise pública.
Na última semana, Michelle divulgou dois vídeos com críticas diretas ao enteado.
Nas gravações, que somam 27 minutos, Michelle responde às cobranças para se empenhar no apoio à pré-candidatura do seu enteado e disse ter recebido uma "punhalada" dele no ano passado, quando a família Bolsonaro viveu uma crise em torno das articulações políticas para as eleições no Ceará.
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Ela disse que, na época, o senador a "maltratou" e tratou seu apoio como algo "insignificante".
Em resposta aos vídeos, Flávio divulgou um texto em suas redes sociais se desculpando e afirmando que em nenhum momento ofendeu ou teve a intenção de ofender a ex-primeira-dama.
"Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil", escreveu nas redes sociais.
Diante da crise, Valdemar Costa Neto buscou adotar um tom conciliador. O presidente do PL elogiou tanto a atuação de Michelle à frente do PL Mulher quanto o desempenho de Flávio nas pesquisas eleitorais, destacando que o senador aparece próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos levantamentos de intenção de voto.
Ele também disse que era preciso resolver a situação entre os dois. "É muito sério. Nós temos que acertar isso aí. Se não acertar isso aí, nós já vamos sair perdendo em casa", declarou em entrevista à Rádio Gaúcha na última semana.
Após o comunicado sobre a saída de Michelle nesta terça, Valdemar publicou uma nota em suas redes sociais.
Ele afirmou que "indignações internas não serão maiores do que a indignação coletiva de ver o que esse governo faz com o nosso país". e agradeceu Michelle pelo trabalho à frente do PL Mulher.
"O PL cresceu demais, e eu entendo que as divergências crescem também. É natural isso. Temos muitos líderes no partido e, por maiores que sejam as divergências, o que nos une é muito maior. As indignações internas não serão maiores do que a indignação coletiva de ver o que esse governo faz com o nosso país", escreveu.
"Michelle passa por um momento difícil, sente de perto as injustiças e as angústias que o maior líder da história recente deste país vem passando. Michelle fez um excelente trabalho à frente do PL Mulher, mas, neste momento, decidiu deixar a Presidência Nacional do PL Mulher porqe fez a opção de concentrar suas atividades em cuidar do nosso presidente. Temos que respeitar essa decisão", concluiu.
O desentendimento entre Michelle e Flávio tem origem nas articulações políticas para as eleições no Ceará.




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