As notícias na Rádio Observador. Aconteça o que acontecer.
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Vamos às notícias. As notícias com Miguel Videira. É agora meio-dia. O presidente da Câmara Municipal de Vouzela alerta que o incêndio no concelho tem várias frentes ativas e admite evacuar localidades nas próximas horas. O autarca explica que a noite até foi mais calma, mas avisa que o vento forte está a dificultar, e muito, o trabalho dos bombeiros.
O incêndio de Vouzela consumiu até agora mais de 12 mil hectares de terreno e continua a expandir-se. Já chegou a outros três concelhos. Está ativo há mais de 48 horas. Continua a ser combatido por 1100 operacionais, 360 viaturas e uma dezena de meios aéreos. Escutado há uma hora, aqui na Rádio Observador, o presidente da Câmara de Vouzela, Carlos Oliveira, explica que o cenário é muito imprevisível.
Estamos com mais tranquilidade, mas as aparências, como diz o ditado, às vezes podem iludir. Temos ainda várias frentes ativas. Temos uma extensão muito grande, quer ao nível da área, quer ao nível do perímetro do incêndio. Temos muitos pontos quentes ou muito quentes ainda. Temos reacendimentos constantes em vários locais. Temos todas essas preocupações. A que acresce a questão da temperatura. Esta noite, para ter uma ideia, a temperatura não baixou dos 25 graus.
O presidente da Câmara de Vouzela adianta que durante a noite não foi necessário retirar pessoas de casa, mas não afasta esse cenário nas próximas horas.
O que podemos é nunca dizer que não estão em perigo. Cada uma das frentes que existe de incêndio tem na sua linha de progressão, aldeias. E essa primeira aldeia é a nossa primeira preocupação maior. A prioridade principal dos elementos que estão no trabalho é a segurança das pessoas e dos seus principais bens. Estamos aqui a falar que o principal bem é a sua casa de habitação.
Carlos Oliveira pede também mais meios, diz que nunca são suficientes. Admite ainda a possibilidade do incêndio ter origem em mão criminosa. Começou por volta das três da manhã, na madrugada de quinta-feira. Entretanto, a equipa da Unidade Militar de Emergências de Espanha chegou a Portugal esta madrugada, está a apoiar no combate ao incêndio de Vouzela. É o que acaba de avançar à Agência Luz, fonte oficial do Ministério da Administração Interna.
Destaque agora para as consequências dos sismos na Venezuela, numa altura em que o número de vítimas continua a aumentar. A ajuda humanitária, Miguel, é essencial.
Sim, neste momento são várias as associações portuguesas que estão a reunir bens para enviar para a Venezuela. É o caso da Venexus e da Câmara de Comércio Venezuela-Portuguesa, que têm estado a recolher e organizar esses bens no armazém em Sintra. É precisamente em Sintra que está a repórter do Observador, Teresa Freire. Teresa, está a ser uma manhã de sábado bastante atarefada.
Este armazém de pneus, que estava vazio, está agora bastante cheio, tanto porque são muitos os bens que aqui estão, mas também por estar cheio de voluntários. Neste momento, acho que são cerca de 30. Agora aqui comigo está o Christian Holl, um dos organizadores. É venezuelano, mas já está em Portugal há alguns anos. Christian, queria começar por lhe perguntar como é que esta iniciativa começou e se está a correr como esperavam.
Nós desde o dia zero, desde o primeiro momento, se juntou a Cavempour e Venexus em juntar aqui uma quantidade de organizações e associações a nível nacional, para formar esta beleza que temos agora. Neste momento, temos pontos nos Açores, na Madeira, no Porto, em Braga, em Aveiro. Temos centros de acúmulo gigantescos, armazéns gigantescos, e estamos a concentrar toda a carga do país aqui em Terruja, em Sintra, para a TAP, na próxima semana, começar a levantar e começar a voar.
Era isso que lhe ia perguntar. Já têm uma previsão de quando é que vão conseguir enviar todos estes bens, então, para chegarem à Venezuela?
Nós queremos começar a voar entre terça e quarta-feira. Essas são as datas que temos por causa da TAP. Na próxima semana, já começamos a mandar carga, vamos mandar devagar, 5 mil quilos, 8 mil quilos, 10 mil quilos, mas vamos mandando. Neste momento, temos em um armazém de Lisboa, 182 paletes prontos para sair e no Porto mais de 200.
E qual é que são o tipo de bens?
Nós agora vamos mandar camping, tudo que seja material para as pessoas que estão na rua, temos medicamentos que vamos enviar e tudo que seja higiene. A última coisa que vai sair, mesmo por último, é roupa e comida, que já não estamos a arrecadar. Não precisamos de roupa e comida. O que é muito importante são medicamentos e tudo que seja higiene, mas principalmente medicamentos e o que são luvas para os resgatistas, fatos, capacetes, tudo que se chama API.
Ia lhe perguntar exatamente isso. Quem nos estiver a ouvir, se quiser ajudar, de que forma é que pode ajudar, tanto em termos no terreno, se podem vir aqui, onde é que podem entregar bens e o que é que neste momento faz mais falta?
É assim, nós temos a página de Instagram da Venexus. Nós temos toda a informação daquilo tudo que nós estamos a arrecadar e quais são os pontos de acúmulo, porque são muitos. Qual é uma coisa que nós precisamos com urgência? Precisamos de paletes, euro paletes, para paletar tudo e precisamos de montacargas. Estamos muito complicados com montacargas. Se nos podem arranjar dois montacargas e paletes, será o melhor que nos podem fazer, aqui em Terruja, Sintra.
Christian Holl, um dos organizadores desta iniciativa, que quer levar esta ajuda humanitária para a Venezuela, neste momento a pedir mais montacargas e paletes. Neste momento, agora tenho também comigo Voluntárias. Gabriela, que na verdade é brasileira e não venezuelana. A maior parte dos voluntários que aqui estão tem algum tipo de relação com a Venezuela, mas não é o caso de Gabriela. Olá.
Como é que soube desta iniciativa e por que aqui veio?
Eu soube por um grupo do WhatsApp que uma venezuelana amiga minha contou e falou que estava precisando de voluntários. Eu sou latina, moro aqui, mas eu acho que todo mundo tem que se ajudar. A gente não pode só pensar em nós, a gente tem que ajudar o próximo. A gente nunca sabe se vai acontecer com a gente, no nosso país, no Brasil ou aqui em Portugal. Todos somos irmãos e pessoas e precisamos de ajuda.


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