Coordenador econômico da campanha petista provocou calafrios no mercado ao defender aumento do salário mínimo e controle de capitais
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A campanha de Lula flerta com gastos bilionários que inquietam o mercado financeiro, mas nos bastidores, o presidente sinaliza que pode adotar medidas impopulares para ajustar a economia se reeleito. Esse pragmatismo levanta questões sobre o futuro fiscal do país, mesmo com o pacote de bondades impulsionando sua aprovação nas pesquisas.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Chefe da ala econômica da campanha de Lula à reeleição, o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli provocou calafrios na Faria Lima, o centro financeiro do país, ao relativizar semanas atrás a necessidade urgente de um ajuste fiscal no país e defender o controle de capitais e o aumento do salário mínimo como porta de saída do Bolsa Família. O pacote de bondades do petista, que chega a mais de 200 bilhões no ano em que tentará o quarto mandato, já era visto por uma ala não desprezível do mercado como uma bomba-relógio prestes a explodir, mas, ao mesmo tempo em que flerta com a gastança, o presidente fez acenos nos bastidores de que é o único dos presidenciáveis que poderia colocar o trem de volta nos trilhos e adotar medidas impopulares. Isso, claro, se for reeleito em outubro.
A conversa, ocorrida há poucas semanas com articuladores políticos diversos, foi lida por um interlocutor ouvido por VEJA como exemplo evidente de que, embora a gestão econômica do governo seja vista com ceticismo, Lula é pragmático o suficiente para desfazer o que ele próprio fez para sair das cordas e se transformar hoje o candidato mais competitivo na corrida pelo Palácio do Planalto. “Lula é tão pragmático que, se vir que a coisa vai estourar o início de um eventual novo governo seu, é capaz de negar o próprio batistério”, resumiu com carregadas doses de ironia uma autoridade que ouviu do presidente a hipótese de comedimento futuro nos gastos públicos.
Apenas no ano eleitoral o governo Lula já liberou linhas de crédito para setores como habitação, indústria e agro, além de ter anunciado políticas específicas para caminhoneiros, motociclistas, estudantes e brasileiros endividados, tema constantemente explorado pelo principal adversário na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Embalado pelo pacote de bondades, as primeiras consequências eleitorais foram medidas pela pesquisa Genial/Quaest divulgada há duas semanas, quando o petista conseguir ver melhora da imagem de sua gestão e abrir vantagem na disputa presidencial. Pela primeira vez desde dezembro de 2024, a aprovação ao governo superou a desaprovação, embora as duas variantes ainda estejam emboladas, com 48% a 47%, respectivamente.
Nas conversas sobre um hipotético anúncio de medidas impopulares, mas necessárias, em um eventual quarto mandato, Lula não explicou detalhadamente a que se referia. O silêncio é estratégico, claro. Não há motivos para contratar desde já impopularidades futuras.


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