País marca 250 anos com shows aéreos e parada naval em Nova York, forte esquema de segurança em Washington e o 4 de Julho mais quente da história da capital

Compartilhar matériaShows aéreos no céu, parada de barcos no porto de Nova York, quase 5.000 militares da Guarda Nacional mobilizados em Washington e um calor recorde: assim os Estados Unidos celebram neste sábado (4) os 250 anos da independência.

Em Nova York, a jornada teve apresentações aéreas, que o presidente Donald Trump classificou que aconteceu "em um nível nunca visto antes".

O dia também foi marcado por uma parada de embarcações pelo porto da cidade, que incluiu o navio da Guarda Costeira Eagle, apelidado de "Tall Ship da América". A cidade também sediou a Revista Naval Internacional, com discurso do vice-presidente JD Vance.

Já em Washington, o esquema de segurança mobilizou quase 5.000 integrantes da Guarda Nacional. A CNN flagrou militares carregando caixas de água em um veículo, em um movimento de preparação para combater os impactos do calor no centro da capital.

Nas celebrações mais tradicionais da data, Joey Chestnut venceu pela 18ª vez o concurso de comer cachorros-quentes Nathan's Famous. Ele consumiu 66 cachorros-quentes com pão em 10 minutos; o segundo colocado comeu 14 a menos.

O recorde mundial de Chestnut, de 76 unidades, foi estabelecido em 2021. Em 2024, ele foi barrado da competição após fechar acordo com a empresa de alimentos à base de plantas Impossible Foods.

E um detalhe histórico: ao contrário do que boa parte da população acredita, a Declaração de Independência não foi assinada em 4 de julho de 1776. Naquele dia, foi aprovada a redação final do documento. As assinaturas, na verdade, começaram no dia 2 de agosto.

Além dos festejos tradicionais, o calor deu o tom do dia. Dados preliminares do Aeroporto Nacional Reagan indicam que a capital americana registrou 38,3°C à tarde, superando o recorde anterior para um Quatro de Julho, de 37,8°C, registrado em 1919. O Serviço Nacional de Meteorologia deve confirmar a marca ainda hoje.

A onda de calor já forçou a alteração ou o cancelamento de eventos em Washington e em comunidades ao longo de toda a Costa Leste.

As semanas de eventos na capital culminam em um grande show de fogos de artifício e o discurso de Trump, marcado para às 22h no horário local (23h em Brasília), no Lincoln Memorial. Na sexta-feira, o presidente já havia discursado no Monte Rushmore.

Trump imprimiu sua marca nas festividades dos 250 anos e classificou o comício no National Mall como uma "festa de aniversário inesquecível".

"Apesar do calor, que não está tão ruim quanto o previsto, as multidões em D.C. estão incríveis! O amor pelo nosso país nunca foi tão forte! Os shows aéreos estão em um nível nunca visto antes. Que grandes pilotos, que grandes equipamentos!", escreveu o presidente norte-americano na Truth Social.

Trump minimizou as preocupações com o calor. "No 4 de Julho vai fazer aproximadamente 41,7°C, e eu vou lá e vou fazer um discurso bem longo", disse no início da semana. "Só para mostrar que posso fazer qualquer coisa."

Segundo um alto funcionário da Casa Branca, o presidente deve falar sobre a fundação do país, destacar o que considera excepcional nos Estados Unidos e exaltar suas realizações no cargo.

O presidente tem sido criticado por transformar eventos destinados a celebrar os 250 anos da fundação do país em palcos de promoção pessoal. Ele afirmou anteriormente que a celebração desta noite incluiria um comício, além de um tributo à América.

Tempestades ameaçam noite de celebrações Além do calor, há a ameaça de tempestades severas. Um alerta de tempestade está em vigor para grande parte de Maryland e da Virgínia, incluindo a região de Washington, até as 22h no horário local. O risco na capital aumenta a partir das 18h locais (19h em Brasília).

A principal preocupação são ventos destrutivos, com possibilidade de rajadas descendentes intensas que atingem o solo e se espalham em todas as direções.

Em Annapolis, Maryland, o tradicional desfile do Dia da Independência e o concerto da Academia Naval dos EUA foram cancelados devido ao alerta de tempestade severa. Os fogos de artifício seguem programados, mas podem ser adiados, segundo a prefeitura. O desfile não será remarcado.

Na Filadélfia, os termômetros podem chegar a 37,8°C, com sensação térmica ainda maior — um contraste com 1776, quando a máxima na cidade no dia da aprovação da Declaração de Independência foi de cerca de 24°C, medição registrada pelo próprio Thomas Jefferson.

O presidente russo, Vladimir Putin, enviou uma mensagem pessoal de "sinceras congratulações" a Trump pelos 250 anos dos EUA. Em tom informal e amistoso, Putin se dirigiu ao americano como "Caro Sr. Presidente" e "Caro Donald", usando na carta a forma russa de tratamento reservada a amigos próximos.