A cooperação entre o Brasil e Moçambique pela saúde materno-infantil foi marcada pela oferta de apoio brasileiro aos bancos de leite humano em Moçambique, bem como pela formação de especialistas.

O Governo brasileiro anunciou esta terça-feira apoio à expansão dos bancos de leite humano em Moçambique e à formação de especialistas para o novo Centro de Neonatologia de Maputo, reforçando a cooperação bilateral na área da saúde materno-infantil.

O compromisso foi assumido pelo ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, no Hospital Central de Maputo, após assinar memorandos de entendimento para reforçar a cooperação técnica entre os dois países nas áreas da saúde materno-infantil, política de sangue e hemoterapia, prevenção e tratamento do cancro, produção de medicamentos e vacinas, saúde digital, formação de profissionais e desenvolvimento institucional dos sistemas públicos de saúde.

O governante brasileiro anunciou igualmente apoio à formação de médicos especialistas em neonatologia para o novo Centro de Neonatologia do hospital de Maputo, financiado pelo Japão, para que os profissionais estejam preparados antes da entrada em funcionamento da infraestrutura, cuja conclusão está prevista para o final de 2027.

Ainda segundo Alexandre Padilha, os memorandos assinados consolidam uma nova etapa da cooperação bilateral, incluindo ainda apoio ao tratamento do cancro, à transformação digital da saúde, ao reforço da política nacional de sangue e à ampliação da capacidade de produção de medicamentos, vacinas e tecnologias de saúde em Moçambique.

O ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, afirmou que a cooperação com o Brasil, com 50 anos, continua a produzir resultados concretos para o Sistema Nacional de Saúde, destacando a inauguração da primeira Escola de Saúde Pública do país, na segunda-feira, o funcionamento do Banco de Leite Humano e os novos acordos assinados durante a visita.

O governante moçambicano acrescentou ainda que o Brasil manifestou disponibilidade para apoiar a criação de uma unidade de produção local de medicamentos, vacinas e produtos hospitalares, reduzindo a dependência externa do país, bem como reforçar a capacidade da Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos, através de um acordo de cooperação entre as entidades reguladoras dos dois países.

Na segunda-feira, após uma audiência com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, Alexandre Padilha anunciou também a disponibilidade do Brasil para apoiar a criação do primeiro Instituto Nacional de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Cancro em Moçambique, além de manifestar interesse em ampliar a cooperação na produção de medicamentos e vacinas, defendendo que o país reúne condições para se afirmar como um polo regional de produção farmacêutica e tecnologias de saúde em África.

Desde a visita do Presidente do Brasil, Lula da Silva, a Maputo, em novembro passado, que os dois países têm intensificado as relações bilaterais em vários setores.