Marco Rubio criticou Lula da Silva e disse que "ego" do Presidente brasileiro não permitiu chegar a acordo sobre as taxas aplicadas. A diplomacia brasileira condena declarações "arrogantes" de Rubio.

O chefe da diplomacia brasileira fez questão de destacar que o Governo brasileiro realizou mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou telefónicas com autoridades norte-americanas desde março de 2025.

Somente com o representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, e com o próprio Marco Rubio, citou Vieira, foram realizados 11 contactos bilaterais diretos, incluindo encontros oficiais entre os próprios chefes de Estado.

Segundo Mauro Vieira, as negociações falharam porque a administração norte-americana não buscava um acordo comercial mútuo e equilibrado, mas sim submissão económica total.

Vieira enfatizou que as exigências americanas ignoravam o amplo benefício que o mercado norte-americano já obtém em território nacional.

O ministro contextualizou que o Brasil já vinha a sofrer pressão desde o anúncio do aumento de tarifas, a 2 de abril de 2025, quando o país foi taxado em 10%.

No entanto, as hostilidades aumentaram após o Presidente dos EUA, Donald Trump, enviar uma carta oficial a Lula a 9 de julho de 2025, em que as tarifas foram elevadas para 50%.

Neste caso, Mauro Vieira referiu a pressão da Casa Branca para tentar interferir no julgamento do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro por golpe de Estado.

Esta reação dura do Itamaraty ocorre após o USTR confirmar, na quarta-feira, a aplicação da nova tarifa, que entra em vigor a 22 de julho, com uma lista de exceções.

Mauro Vieira deixou o local sem responder a questões dos jornalistas, nomeadamente à pergunta da Lusa sobre quando seria aplicada a Lei da Reciprocidade.