II Fórum de Investimentos Brasil–União Europeia (UE), organizado conjuntamente pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e pela UE, em colaboração com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), reuniu na últi…

II Fórum de Investimentos Brasil–União Europeia (UE), organizado conjuntamente pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e pela UE, em colaboração com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), reuniu na última terça-feira, 23, em Brasília, autoridades, empresários e investidores para discutir uma agenda de cooperação voltada à competitividade, à indústria verde, à inovação tecnológica e à ampliação das relações econômicas entre os dois blocos.

Os 26 anos de diálogo resultaram em um dos maiores blocos comerciais do mundo, com 720 milhões de consumidores e uma economia que soma um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões. Nesse cenário, o Brasil é considerado um parceiro indispensável na nova era geopolítica global. Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir André Müller, o país já começou a colher os frutos do acordo, em vigor desde maio: houve um aumento de US$ 1,5 bilhão em exportações para a Europa, segundo maior parceiro comercial nacional.

— Vivemos um momento bastante desafiador. Estamos vendo uma cumplicidade maior no comércio exterior. E, ao mesmo tempo, o Brasil batendo recordes de exportação e atração de investimentos. No ano passado, fomentamos US$ 70 bilhões de investimentos em um momento complexo do cenário internacional. Mas isso não acontece por acaso. É resultado de uma decisão acertada que envolve entendimento, negociação, abertura — explicou.

No ano passado, fomentamos US$ 70 bilhões de investimentos em um momento complexo do cenário internacional” — LAUDEMIR ANDRÉ MÜLLER, presidente da ApexBrasil A competitividade foi o foco do debate. Ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, o acordo derrubou barreiras tarifárias. Essa desoneração dá um vislumbre das oportunidades que o Brasil tem à disposição. Entre elas, Müller destacou que a UE importa US$ 3 trilhões em produtos de fora do bloco, dos quais US$ 50 bilhões vêm do Brasil.

O gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, explicou que o país concentra 50% dos valores de exportação em cinco produtos básicos: petróleo, café, soja, farelo de soja e minério de cobre.

— O momento é de parar, olhar e verificar onde estão essas oportunidades —, disse, defendendo a diversificação dos itens.

Para guiar esse crescimento, a ApexBrasil mapeou 543 oportunidades de exportação imediata com imposto zero em 237 produtos e viu maior potencial nos setores de máquinas, equipamentos de transporte e produtos químicos. Os dados constam no “Estudo de Oportunidades Mercosul-União Europeia”, publicado pela agência em janeiro.

Queremos ver como esse acordo pode apoiar uma agenda de investimentos mais forte entre Brasil e Europa” — MARIAN SCHUEGRAF, embaixadora da União Europeia no Brasil A discussão evoluiu para o papel central do Brasil na transição energética. Com quase 90% de matriz elétrica limpa, o país oferece o que a Europa mais precisa: energia barata e renovável para alimentar a indústria do futuro, incluindo data centers e treinamento de inteligências artificiais.

Para o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, a parceria deve superar o antigo modelo puramente extrativista.

— O Brasil é um país muito rico e muito ambicioso. Precisa deixar para trás um modelo de negócios de baixa margem, ou seja, a exportação de produtos agroalimentares e matérias-primas críticas não processadas, e avançar para commodities de maior valor agregado, ou seja, produtos finais — ponderou.

A UE, por sua vez, pode contribuir com capital e investimentos em infraestrutura em território nacional.

— Queremos ver como esse acordo pode apoiar uma agenda de investimentos mais forte entre Brasil e Europa — afirmou a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf.

Um dos pontos altos do II Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia residiu na assinatura de quatro iniciativas sob o guarda-chuva da agenda Global Gateway. Os anúncios reforçam o compromisso de que desenvolvimento e sustentabilidade devem caminhar lado a lado.

— É na sustentabilidade que o Brasil tem que fincar o seu projeto de desenvolvimento econômico. Temos fontes renováveis de energia, recursos hídricos abundantes e compromisso sério do governo com desmatamento de qualquer tipo. Essa indústria precisa assistir ao país celebrando acordos — ressaltou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Representantes do Pará e do Maranhão assinaram a iniciativa “Mais Conectado”, no valor de 260,8 milhões de euros, em prol da conectividade digital, da transição energética e da proteção à Amazônia. Um cabo submarino de fibra ótica ligará os dois estados à Europa.

O momento é de parar, olhar e verificar onde estão as oportunidades” — GUSTAVO RIBEIRO, gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil Já o projeto-piloto “Amazônia Verde” levará conectividade a seis comunidades remotas no Amazonas para facilitar o acesso à saúde e à educação, além de fomentar a economia. A cifra alcança 1,5 milhão de euros.

O programa H2Uppp Green Hydrogen Brazil, implementado pela agência alemã GIZ, deve financiar parcerias público-privadas com o porto internacional de Antuérpia, na Bélgica, para apoiar o desenvolvimento da cadeia de valor do hidrogênio renovável. O valor total é de 3,5 milhões de euros.

O projeto Cunhaintá Kirimbawasa recebeu mais de 770 mil euros da UE para fortalecer a liderança e a participação política de mulheres indígenas na Amazônia, com apoio a 25 organizações ligadas a 50 povos, respeito aos direitos humanos e preservação do bioma.

UM OLHAR PARA O HORIZONTE

No plano jurídico, o Brasil avançou com reformas estruturantes, como a tributária, e a criação de marcos legais para eólicas offshore e hidrogênio verde, aumentando a previsibilidade para o investidor estrangeiro: