Economista afirma que país pode ter maior acesso a mercados globais e que precisa fortalecer a relação com os Estados Unidos

Economista afirma que país pode ter maior acesso a mercados globais e que precisa fortalecer a relação com os Estados Unidos

Sérgio Lima/Poder360 - 11.de.2024

de Brasília 21.jun.2026 (domingo) - 7h00 Siga o Poder360 no Google

O economista Marcos Troyjo, 59 anos, afirmou que há “desperdícios de oportunidades” nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

Em entrevista ao Poder360, criticou as decisões de aumento de tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano) por prejudicarem a economia do país. Mas disse que, para o Brasil, isso pode favorecer o acesso a mercados de países que passaram a procurar diversificar as relações comerciais depois das decisões de Trump.

Assista à íntegra da entrevista:

Troyjo afirmou que o Brasil deve procurar negociar com os EUA para evitar ao menos parte da proposta de elevação de tarifas em até 37,5%. Independentemente disso, afirmou que o Brasil deveria buscar o aumento do comércio com os norte-americanos.

Na avaliação do economista, o Brasil também precisa intensificar as trocas comerciais com outros países para impulsionar o crescimento econômico.

O Brasil teve exportações de 15,3% do Produto Interno Bruto em 2025. Ficou em 15º lugar na comparação com os demais integrantes do G20.

As importações em 2025 foram 12,9% do PIB brasileiro. O país ficou em 16º lugar na comparação com outros integrantes do G20.

O economista avalia que uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) impediria o fortalecimento das relações comerciais com os EUA.

Troyjo foi secretário especial de Assuntos Internacionais do Ministério da Economia em 2019 e 2020 no governo de Jair Bolsonaro (PL).

Também atuou como presidente do NDB (Novo Banco de Desenvolvimento), o Banco dos Brics, de 2020 a 2023 por indicação do governo brasileiro. Em 2023, Lula indicou a ex-presidente Dilma Rousseff para a presidência do banco.

Troyjo foi escolhido o Wilhem Fellow 2026-2027 pelo Centro de Estudos Internacionais do MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge, nos EUA.

Poder360 – Por que as exportações e importações do Brasil são mais baixas do que as de outros países do G20? Marcos Troyjo – O Japão, desde 1945, a China, desde 1978, a Espanha, desde 1982, e Israel, desde 1985, conseguiram um desempenho econômico vibrante. Muitos dizem que isso se deve ao regime político, outros que se deve ao investimento em educação. São países que têm diferentes berços civilizacionais. Alemanha e Japão, por exemplo, cresceram durante períodos democráticos, no pós-guerra. A China, num regime de oxigênio democrático mais rarefeito. Nesses países houve uma grande ênfase no comércio exterior como uma mola propulsora do crescimento. Eu publiquei há 20 anos o livro “Nação Comerciante”, que tentava argumentar que esses países privilegiaram o comércio exterior como um dos principais vetores da sua expansão econômica, da sua prosperidade.

Também é possível identificar países que privilegiaram mais uma estratégia de fechamento, em si mesmos. É o caso do Brasil, da Argentina, da Rússia, da Turquia. Na comparação, países que privilegiaram o comércio exterior têm tido ao longo dos anos uma performance muito mais impressionante do que aqueles que ficaram voltados para si.

Alguns vão dizer: é porque o Brasil é muito grande. Mas a China é um país territorialmente maior que o Brasil. Tem cerca de 7 vezes a população brasileira. E é um país que deve muito desse desempenho vertiginoso dos últimos 48 anos ao comércio exterior. Foi um pouco, no Brasil, o reflexo dos modelos de substituição de importações, de privilegiar o mercado interno sobre o mercado externo.

Tem gente dizendo que, por conta do aumento do protecionismo internacional, o mundo está dando razão ao modelo brasileiro. Mas o fato é que os países que atrelaram o seu vagão à locomotiva do comércio se desempenharam muito melhor ao longo dos anos.

O governo dos EUA estuda aumentar as tarifas para produtos brasileiros. É possível o comércio entre os 2 países crescer mesmo com restrições? Eu consigo pensar em poucos desperdícios maiores de oportunidades no comércio global do que a relação entre Brasil e Estados Unidos.

Os Estados Unidos têm um percentual razoavelmente pequeno do seu PIB na forma de importações. Mas isso incide sobre um PIB de US$ 31 trilhões. Mas é um valor nominal de US$ 3,6 trilhões. É maior do que o PIB da França, que é a 6ª maior economia do mundo. E é um valor também maior do que o PIB somado dos mais de 50 países do continente africano. Os Estados Unidos são um grande comprador do comércio internacional.

Qual é a fatia ocupada pelo Brasil? Só 1%. Apenas US$ 36 bilhões. Em 2 de abril de 2025, o presidente Trump anuncia o que ele chama de política de comércio justo e recíproco. Ele se vale de poderes emergenciais do presidente, e distribui tarifas para praticamente todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos. O que foi alocado no 1º momento para o Brasil foi apenas uma tarifa de 10%.

Na famosa carta de 9 de julho, em que o presidente Trump faz referências também ao que ele julga ser um tratamento injusto ao presidente Bolsonaro, acrescenta 40%. Inicia-se, 4 ou 5 dias depois, uma investigação por parte do Escritório Comercial dos Estados Unidos, que na sigla em inglês se diz USTR, sobre práticas desleais do Brasil. Não é uma coisa voltada única e exclusivamente contra o Brasil.