O Brasil tem a oportunidade de se consolidar como ator estratégico nas cadeias globais de minerais críticos, na visão do Ministério de Minas e Energia (MME). Conforme um estudo técnico elaborado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) encome…

O Brasil tem a oportunidade de se consolidar como ator estratégico nas cadeias globais de minerais críticos, na visão do Ministério de Minas e Energia (MME). Conforme um estudo técnico elaborado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) encomendado pelo MME, o país tem a segunda maior reserva de terras raras do planeta.

Cerca de 23,1% dos recursos globais conhecidos de terras raras está no Brasil, conforme o levantamento.

As terras raras são elementos químicos encontrados em minerais usados na fabricação de turbinas eólicas, veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia e equipamentos de defesa. Segundo o MME, o material assumiu posição central em discussões sobre segurança econômica, competitividade industrial e transição energética.

"Diante desse cenário, o MME decidiu antecipar o debate promover a elaboração de um amplo estudo técnico para subsidiar a formulação de uma estratégia nacional voltada ao fortalecimento da cadeia de valor desses minerais e à ampliação da presença brasileira em segmentos de maior valor agregado", informou o ministério em nota nesta sexta-feira (19).

Rafaela Guedes, senior fellow do Cebri, afirma que o estudo demonstra como o Brasil consegue ser competitivo no setor.

"Seriam desejáveis alguns níveis de suporte por parte do governo. Mas, se considerarmos que todos os projetos já divulgados serão realizados como o previsto até 2030, significa que o Brasil pode produzir 35 mil toneladas de concentrado de terras raras nos primeiros anos da década. Esse volume representa 10% da produção mundial."

A meta de 2040 é chegar a cerca de 75 mil toneladas por ano, que seriam 20% da produção global projetada, segundo Guedes.

"Mas há uma ressalva. Esse potencial é condicionado. Ele depende de licenciamento, de capital e da viabilização das rotas de processo. Não é automático. Por isso que precisamos de estratégia", disse a especialista.

O estudo estima em cerca de US$ 1,65 bilhão o investimento (Capex) para instalar uma planta de separação de terras raras no Brasil com capacidade de 25 mil toneladas de óxidos por ano.

O levantamento testou a operação de uma unidade como essa ao longo de 20 anos em três cenários. No cenário conservador, com preços de referência da China e a tributação atual, o retorno ao acionista seria de 11,8% ao ano, com retorno do investimento em pouco mais de dez anos. Conforme o documento, os números são viáveis, mas no limite do que atrai um investidor privado.

A conclusão do estudo é que são necessárias políticas públicas para impulsionar o setor no país. Subvenção de parte do investimento, depreciação acelerada e alívio tributário são os formatos apontados pelo documento como necessários para elevar o retorno ao acionista para 16,5% ao ano

“A diferença entre um projeto inviável e um projeto atrativo não está no subsolo brasileiro, mas nas escolhas de política pública”, afirmou o estudo.