Paulo Rubem Santiago (Rede), Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL) e Túlio Gadêlha (PSD), candidatos ao Senado por Pernambuco, no debate do g1 - Andrea Rego Barros/Globo Os candidatos ao Senado por Pernambuco estiveram frente a frente, nesta quarta-feira (2), no debate promovido pelo portal g1 da Rede Globo - com transmissão do g1 e dos perfis do portal no YouTube, TikTok e Instagram - mediado pelo jornalista Marcio Bonfim.

Entre os convidados estavam candidatos de partidos e federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. Em Pernambuco, atendem a esse critério Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadêlha (PSD). Formato do debate Com modelo de banco de minuto, cada candidato tinha 15 minutos de fala com a possibilidade de administrar o próprio tempo, decidindo quando usá-lo para apresentar propostas e interagir com os demais participantes. Antes de iniciar o debate, foram sorteados, na presença das campanhas participantes, a ordem dos temas, a posição das cadeiras e a ordem das considerações finais.   Assista na íntegra:

Responsabilidade fiscal, interiorização da saúde, violência contra a mulher, relação entre poderes, emendas parlamentares e mudanças climáticas/enchentes foram os temas escolhidos. Ao final dos temas, cada candidato fez suas considerações finais.

Temas em debate No primeiro tema abordado no debate, os candidatos apresentaram suas ideias sobre responsabilidade fiscal. Eduardo da Fonte (PP) foi o primeiro a falar. “Responsabilidade fiscal é um tema fundamental porque ela tem impacto direto na vida das pessoas. Por exemplo, o cartão de crédito. Você quando atrasa a fatura do cartão, paga mais de 30% ao mês e isso é fruto também do ajuste fiscal. Então, nós precisamos organizar as contas públicas e fortalecer a política”, disse.

“Responsabilidade fiscal não é sinônimo de gastar menos, muito pelo contrário. (...) O presidente Lula tem um objetivo a ser atingido e não simplesmente de gastar menos. Quando a direita fala em gastar menos, ela fala em cortar recursos e investimentos para quem é pobre. E a gente viu o presidente Lula aumentar o emprego e reduzir a inflação. Isso sem cortar um centavo do social. O papel do Senado, nesse sentido, é muito importante’, afirmou Marília Arraes.

“As finanças do país foram sequestradas. Só no ano passado nós pagamos R$ 1,1 trilhão de juros da dívida pública e juntando  educação e saúde não chegamos a Quando eu chegar ao Senado, a minha primeira proposta vai ser apresentar uma nova Lei Complementar para a gestão das contas públicas. Para que possamos arrecadar de quem tem mais e distribuir com investimentos sociais para economia e para a infraestrutura e não para aqueles que ganham trilhões e não entregam nenhum bem e serviço para a população”, comentou Paulo Rubem (Rede).

“Nosso partido, o presidente Lula e eu somos defensores do equilíbrio fiscal. O presidente fez superávit primário em todos eles, ou seja, cumpriu a responsabilidade fiscal, mas não abriu mão de garantir investimentos que melhoram a vida das pessoas, principalmente dos mais pobres”, destacou Humberto Costa. 

“Nós recebemos um país deficitário em aproximadamente R$ 170 bilhões. O presidente Lula ajustou as contas e tem entregue a cada ano um país superavitário, sem retirar direitos dos trabalhadores. Aqui em Pernambuco a gente vive um momento tão bom quanto o que vivemos em âmbito federal. A governadora conseguiu retirar contratos desnecessários e investimentos que não precisavam estar sendo feitos para economizar R$ 2 bilhões e investir em obras estruturantes para o estado”, falou Túlio Gadêlha (PSD).

“O cidadão brasileiro hoje, quando chega no final do mês, o salário não dá. Ele não consegue fechar sua conta, com o salário que ganha ele não consegue pagar as suas despesas do dia a dia da sua própria família. De outra parte, a irresponsabilidade fiscal do atual  governo cada vez mais gastando mais do que arrecada, gera uma outra consequência, aumento da taxa de juros. Então o governo suga e retira o dinheiro dos empresário, empreendedor e da população”, comentou Mendonça Filho (PL).

Quando o assunto proposto foi “violência contra a mulher”, Marília Arraes (PDT) lembrou que era a única candidata do sexo feminino sentada à mesa no debate. Em outro momento, quando o assunto tratava sobre a relação entre os poderes, Eduardo da Fonte (PP) sugeriu que os ministros do STF e STJ tivesses mandatos limitados em 8 anos. “É importante que a gente limite o tempo de mandato e essas escolhas sejam discutidas também no Senado Federal, que é quem faz a sabatina de ministros. Então é um tema que levarei a partir de janeiro”, disse.

“Com muito respeito discordo do nosso colega Eduardo da Fonte em relação ao tempo de mandato de ministro porque é um tema que traz muita insegurança jurídica ao país, traz uma instabilidade. Você imagina um ministro que tem um prazo de validade para atuar como ministro do STF e que o presidente vai poder indicar muitos outros ministros, então o Supremo será a cara da vontade do presidente eleito”, argumentou Gadelha.

Debate nacional Além de exporem e confrontarem suas ideias ideias em cada um dos assuntos propostos, os candidatos se posicionaram sobre assuntos atuais da política nacional, a exemplo das conversas obtidas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Temas polêmicos sobre o impeachment da presidente Dilma, os atos antidemocráticos de 8 de janeiro também geraram controvérsias entre os postulantes à Casa Alta. 

Sobre as denúncias envolvendo o ministro do STF Alexandre de Moraes, alguns candidatos se posicionaram. “Numa democracia não há intocáveis. Não há poder acima do outro e o que se vê no Supremo Tribunal Federal hoje é um desequilíbrio completo. O Supremo tem mais poder hoje que o poder executivo e do que o próprio congresso nacional e o chamado devido processo legal não é seguido, não é acompanhado. A gente assistiu ontem denúncias gravíssimas envolvendo o min alexandre de moraes e que boa parte da esquerda brasileira passa pano e não quer que sejam apurados os fatos revelados. mendonça

“Entendo que qualquer tipo de irregularidade que seja praticada onde quer que seja deve ter como fundamento sobre a sua irregularidade a Lei, a legislação. Ninguém da esquerda passa pano para ninguém. Nós temos acompanhado essas denúncias graves, que já vêm surgindo há algum tempo, envolvendo integrantes do STF e eu quero dizer que se em um processo legal em que se comprove que essas pessoas quebraram o decoro do magistrado e cometeram crimes, podem contar com meu voto. Esse dedo aqui votará pelo impeachment. Agora, banalizar um mecanismo como esse, querer por razões de ordem política, disputa política, tá toda hora caçando algum ministro, me parece que não ajuda a independência e autonomia dos poderes”, avaliou Humberto. “Concordo integralmente com o senador Humberto Costa. A gente tem que avaliar caso a caso, até porque não se pode polemizar essa questão de ser a favor ou ser contra o impeachment. Se for eh o devido processo legal for instaurado e for comprovada irregularidades, claro que a gente vai ser a favor de que esse esse ministro seja caçado. Inclusive porque não foi somente Alexandre de Moraes que foi acusado, não. André Mendonça, que é terrivelmente bolsonarista, tá aí acusado de receber um terninho de vocaro”, disparou Marília. “Tudo isso tem que ser avaliado com cuidado, com temperança, não é com açodamento, com agonia, com ansiedade, com extremismo, não, minha gente, o Senado é a casa da maturidade”, completou a candidata.