Inaugurado pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em abril do ano passado, o centro para crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista descumpriu metas de atendimentos individuais. O equipamento operou também com equipes abaixo da carga horária prevista em contrato em diferentes meses. Leia mais (06/29/2026 - 04h00)
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Inaugurado pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em abril do ano passado, o centro para crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista descumpriu metas de atendimentos individuais. O equipamento operou também com equipes abaixo da carga horária prevista em contrato em diferentes meses.
As falhas constam em relatórios elaborados pela organização contratada pela prefeitura para monitorar a execução dos serviços no Centro TEA (sigla para transtorno do espectro autista), localizado na zona norte da cidade. Essa é a primeira iniciativa do gênero na capital paulista, e tem sido anunciada como marco da atual gestão.
Conforme os documentos obtidos pela Folha, a organização social Lar Mãe do Divino Amor, responsável pela gestão do endereço, realizou, em média, 26,6%, das sessões individuais previstas em contrato de outubro de 2025 a março de 2026, período em que as avaliações foram feitas pela FGV (Fundação Getulio Vargas), contratada pela prefeitura como verificadora independente. O período corresponde a metade do tempo de funcionamento do equipamento.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) diz que dados são preliminares e cita mais de 300 mil acompanhamentos no Centro TEA. Procurada, a organização social não comentou e orientou a reportagem a procurar a prefeitura.
O repasse mensal de R$ 911.098,14 à organização social prevê atendimentos individuais e coletivos, como práticas de vida diária, atividades na piscina, culinária, música e jardinagem.
O contrato prevê 330 atendimentos individuais mensais, o que significa 1.980 por seis meses. Mas no período de outubro de a março, a entidade disse à FGV ter feito 526 atendimentos. Ou seja, 3 em cada 4 acompanhamentos previstos deixaram de ser realizados.
Para a pediatra Raquel del Monde, a atenção individualizada é necessária porque cada criança está em um estágio de desenvolvimento e tem necessidades específicas. "Não existe um protocolo geral para todos", diz.
A depender do perfil cognitivo há crianças que demandam mais trabalho com fonoaudiólogos, enquanto outras precisam de um treinamento de habilidades sociais. Por isso, diz a pediatra, o planejamento deve ser individual. "Se não houver planejamento, qual benefício cada criança terá?".
3 em cada 4 atendimentos previstos deixaram de ser realizados
3 em cada 10 atendimentos previstos deixaram de ser realizados
Equipe multidisciplinar
Equipe de referência
Fonte: Relatórios de Verificação Independente do Centro TEA, referentes ao período de outubro de 2025 a março de 2026; Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência
Outro documento elaborado pela FGV indica que a carga horária dos psicólogos não condiz com o contrato de trabalho. Eles são os responsáveis pelos atendimentos individuais.


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