Buona Cerva, Paraizo e Barbante mostram sabores e apresentam histórias de cervejarias em Rota Caminhos e Cervejas

Por Elisabetta Mazocoli

A Rota Cervejeira Caminhos e Cervejas, que liga Juiz de Fora a Petrópolis, coloca em foco cidades produtoras da bebida. Os turistas que visitarem a região podem conhecer espaços que aliam história e gastronomia, guiados por um trajeto que recupera a tradição imigrante e o período imperial brasileiro, mas também promovendo o desenvolvimento dessas cervejarias.

No total, são 23 produtoras que fazem parte da rota, sendo 12 em Minas Gerais e 11 no Rio de Janeiro. Espaços como a Buona Cerva, Paraizo e Barbante mostram diferentes modos de fazer cerveja e como os sabores contam histórias.

Também fazem parte da rota as cervejarias Odin, Tortuga, Sampler, Brewpoint, Colonus, Duas Torres, Doutor Duranz, Olma, Fred, Regalia, Hofbauer, Dovski, Gavioli, Muller, Mirante, Lba, Mr. Tugas, Antuérpia e Wuff.

A ideia é que os turistas possam conhecer a rota por meio de agências ou montar o percurso por conta própria para vivenciar as experiências lentamente. É possível tanto combinar os passeios quanto fazê-los separadamente, de acordo com a disponibilidade e marcação com as cervejarias no novo projeto.

Na Buona Cerva, o “cafézinho” é gelado e vem do lúpulo. A experiência montada pelo mestre cervejeiro Alexandre Laguardia busca valorizar sabores mineiros associados com as cervejas feitas na casa, que fica no Bairro Grama, em uma experiência que mostra as produções das quatro principais escolas cervejeiras: alemã, americana, belga e inglesa.

A ideia é trazer a bebida alcóolica para o café da manhã, mas sem exageros: mantendo a mesma ideia que já ocorre em outras partes do mundo, com drinks como Mimosa e Irish Coffee, mas fazendo toda a harmonização com a cerveja e seus variados sabores.

Essa combinação parte da amarelinha para outros sabores mineiros: linguiça, pão artesanal, brownie e geleias também feitos na casa, pensados tanto para contrastar os sabores quanto para ressaltar as notas.

A cervejaria já acumula prêmios, desde o 1º Concurso Mineiro de Cervejas até o Concurso Brasileiro da Cerveja em Blumenau e o Brazilian International Beer Awards (BBA).

Um dia na Fazenda Paraizo, em Belmiro Braga, começa com tranquilidade e boas histórias. É isso que conta a gerente de produção Luana Gerhein, que explica que o turismo de experiência no local oferece diferentes opções para os visitantes: desde conhecer cafés plantados no local até almoços preparados pela chef Marina Lopes com esses insumos e o consumo de queijos premiados da La Porta e as bebidas da destilaria do local. 

A cervejaria Barbante ostenta o título de mais antiga de Minas Gerais, com uma produção que começou em 1861 e já foi consumida até por Dom Pedro II. É essa tradição que a casa no São Pedro busca manter: na rota, o diferencial será justamente poder contar uma parte importante da história das cervejarias no Brasil, com a perspectiva até da abertura de um museu no local.

O nome Barbante veio justamente porque, quando a cerveja começou a ser feita, a pressão da fermentação natural fazia com que explodisse a tampa da garrafa. Para evitar isso, era usado um barbante para amarrar as rolhas de garrafa, que logo a ajudaram a ser reconhecida na região.

A experiência para o turista trará harmonização com o joelho de porco, em uma receita que também remete à tradição alemã do bairro e da origem da família Kunz, que começou a cervejaria. 

Em Juiz de Fora, além da pilsen, ele observa uma procura forte pela red, o que mostra um público já interessado pelo sabor focado no malte e mais maduro em relação ao amargor da cerveja artesanal. Por isso, a perspectiva é que seja mais uma forma de conectar não só quem vem de fora, mas a própria população com essa história.