OpenAI apresenta ‘ChatGPT para adolescentes’ em meio a petições judiciais - Foto: Marco Bertorello/AFP A OpenAI anunciou, nesta terça-feira (18), o lançamento global da nova versão do ChatGPT de uso direcionado para adolescentes entre 13 e 17 anos.

Segundo a plataforma, a ferramenta promete "incentivar jovens a pensar de forma crítica e aprender com proteções integradas e controles adicionais para os pais".

Entre os destaques, o Modo Estudo aparece como uma das maiores apostas da empresa para orientar estudantes na resolução de problemas complexos. O modo é capaz de desenvolver questões em passo a passo, sem respostas imediatas. 

De acordo com o comunicado, a funcionalidade deverá incentivar o fortalecimento da compreensão dos temas estudados pelos usuários.

Nesta função, os adolescentes também poderão definir horários de estudos, receber lembretes para realizar a lição de casa, montar cronogramas de aprendizado, elaborar quizzes didáticos, revisão de anotações de aulas ou simulados para provas. 

Para a Doutora em Educação, Cláudia Santa Rosa, os recursos apresentados não podem ser ignorados por quem trabalha com educação. No entanto, é necessário que família e a escola estabeleçam regras claras quanto ao uso consciente. 

“Uma geração digital que não pode se deparar com o modelo de escola do Século XIX. É preciso reconectar a escola com o seu público para que faça sentido. A família precisa acompanhar, orientar, estabelecer limites quanto a agenda para o uso das telas”, alerta.

Para a especialista, o maior risco está na naturalização do processo de pensamento instantâneo e automático incentivado pelo uso da IA. 

“O limite é cuidar para não substituir a atividade de pensar que é humana. A inteligência artificial é um atalho fácil. Tenho alertado sobre os riscos de formarmos gerações com dificuldades de pensar, de construir respostas, argumentações pelo acesso fácil a soluções esvaziadas da própria autoria. As ferramentas tecnológicas são bem-vindas para as primeiras informações a serem confrontadas com fontes seguras, porque construir conhecimento pressupõe um estágio de elaboração que envolve a mediação do professor, a pesquisa e as experimentações”.

Apesar da ferramenta ressaltar a capacidade de reconhecer quando um aluno parece estar tentando burlar o Modo Estudo para conseguir uma resposta direta, a OpenAI não garante a funcionalidade completa da operação. Assim, adolescentes ainda poderão receber respostas diretas, como ocorre ao realizar uma pergunta na versão padrão do ChatGPT.

"O modo de estudo foi projetado para fazer perguntas e ajudá-lo a encontrar as respostas, mas pode haver momentos em que ele forneça uma resposta direta. Nesses casos, você pode optar por usar dicas, questionários ou orientações passo a passo", explica a companhia.

Em uma imagem de divulgação do Modo Estudo, é possível ver uma caixa de texto onde o usuário pode escolher se recebe a explicação didática do assunto ou a resposta direta, sem o caminho pedagógico.

Para a professora de redação Fernanda Bérgamo, tentar evitar que os estudantes busquem o caminho mais fácil com as respostas da IA deve envolver uma conversa franca com os próprios adolescentes, que não podem ficar de fora do debate.

“Eu digo para os meus alunos que não vou checar se eles utilizaram IA para produzir um texto. Afinal, na hora do Enem, eles não vão ter a IA para poder ajudar. É preciso que eles mesmos desenvolvam uma própria auto regulação, percebendo que burlar as regras só vai trazer prejuízos. Historicamente, os alunos sempre tentaram enganar professores, seja com a cópia das páginas da enciclopédia ou com a cópia da IA, o processo é sempre o mesmo”, explica.

No site, a plataforma recomenda ainda verificação de respostas importantes em relação a tarefas de casa, provas, saúde, questões legais, finanças e outros assuntos de grande relevância. A política é a mesma para o ChatGPT padrão.

A professora também destaca a checagem como um caminho seguro para o uso ético e equilibrado, sem o comprometimento intelectual do adolescente.

“O aluno que estuda com essas ferramentas precisa checar as respostas, checar o que foi entregue e dar a sua cara, o seu estilo aos textos produzidos. Vamos ter que aprender a conviver com essa desconfiança porque a IA nunca vai ser impecável”, afirma.

Além dos investimentos nas ferramentas de estudo, a funcionalidade do controle parental também esteve entre os pontos de maior visibilidade do novo lançamento.

Em comunicado, a OpenAI confirmou que as mudanças foram feitas com base nos Princípios para Menores de 18 Anos da plataforma e seguem "adequações à idades em áreas de maior risco, como automutilação, violência, distúrbios alimentares, atividades perigosas e conteúdo sexual explícito ou gráfico”.

Agora, famílias com contas de adolescentes vinculadas poderão definir horários de pausa, gerenciar configurações selecionadas e receber notificações de segurança durante situações consideradas de alto risco.