Candidato à Presidência do PL errou sobre Master, 8 de Janeiro e mudanças climáticas; assessoria do senador foi contatada, mas não respondeu
O candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, foi entrevistado na noite desta sexta-feira, 28, na TV Globo. O Estadão Verifica, núcleo de checagem de fatos do Estadão, analisou a veracidade das alegações feitas pelo senador ao longo da entrevista.
Foram consideradas apenas afirmações factuais, como números, datas, comparações de grandeza e outras. A depender da apuração, podemos atribuir as etiquetas “falso”, “enganoso”, “exagerado”, “subestimado”, “impreciso”, “falta contexto” e “verdadeiro”.
A assessoria do senador foi contatada para comentar a checagem e o texto será atualizado se houver resposta.
Veja o resultado abaixo.
O que disse Flávio: que uma perícia concluiu que não tem um centavo de dinheiro público no filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: falta contexto. Flávio foi questionado sobre a falta de prestação de contas sobre os recursos repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e não sobre a existência de dinheiro público no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. O candidato omitiu que o laudo contratado pela GoUp Entertainment, produtora responsável pelo filme, não rastreou a origem dos recursos repassados pelo fundo Havengate Development, dos Estados Unidos, para financiar o longa-metragem. A análise é considerada vital pela Polícia Federal para esclarecer se houve desvio no projeto articulado entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.
O Havengate recebeu cerca de US$ 10,6 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) de aportes de Vorcaro solicitados pelo senador e candidato à Presidência.
O responsável pela avaliação técnica da empresa disse, ao jornal O Globo, que não teve autorização para auditar o fundo e que tratou apenas sobre os recursos desembolsados pela GoUp. O documento produzido aponta que os recursos são privados e que não foi identificada vinculação com verba pública.
O que Flávio disse: que quis a CPMI do Banco Master e assinou requerimento para sua abertura.
O O Estadão Verifica checou e concluiu que: falta contexto. O Estadão mostrou, em maio deste ano, que o senador não assinou três dos cinco requerimentos de criação de comissão parlamentar de inquérito para investigar o Banco Master.
O candidato assinou os requerimentos de CPI Mista de autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e de CPI no Senado, de Carlos Viana (PSD-MG). Mas deixou de apoiar requerimentos de uma CPI de autoria do senador Eduardo Girão (Novo-CE), uma do senador Rogério Carvalho (PT-SE) e uma comissão mista, das deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS).
O que Flávio disse: que Daniel Vorcaro pagou patrocínio de R$ 160 milhões para o programa de Luciano Huck e fez um investimento de R$ 50 milhões em uma palestra do Valor Econômico, do Grupo Globo, em Nova York.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: não há evidências. Em dezembro de 2025, o site GGN informou que o Will Bank, que integrava o conglomerado do Banco Master, era um dos patrocinadores do Domingão, programa apresentado por Luciano Huck. O site calculou, com base em estimativas do mercado, que o Master pode ter pagado entre R$ 120 milhões e R$ 160 milhões pelo patrocínio se o quadro rodou de 6 a 8 domingos. Trata-se de uma estimativa. Não foi informado o valor exato do patrocínio e nem foi apresentada comprovação do pagamento. Em março de 2026, o site Poder360 noticiou que o Banco Master apresentou o 1º Summit Valor Econômico Brazil-USA em 15 de maio de 2024, em Nova York. Daniel Vorcaro, dono do banco, fez a exposição de abertura do seminário. O Valor Econômico, do Grupo Globo, era o realizador do evento. A notícia não menciona recebimento de R$ 50 milhões. A página do evento lista o Master como apresentador, mas não entre os patrocinadores.
O que Flávio disse: que o presidente da República (Lula) recebeu um banqueiro (Vorcaro) em uma reunião secreta, prometendo ajudar com os problemas do banco. Lula teria dito para Vorcaro “esperar um pouco” porque ele trocaria o presidente do Banco Central para que o indicado por ele “resolvesse o Banco Master”.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é enganoso. Em dezembro de 2024, Lula teve um encontro fora da agenda com Daniel Vorcaro. Conforme o Estadão, o banqueiro reclamou de uma “perseguição” articulada por grandes bancos. Lula teria respondido que cabia ao Banco Central averiguar isso e que o caso deveria ser tratado de maneira “isenta e técnica” pela autarquia. O mesmo foi noticiado por outros veículos de imprensa. Não há registro, nas reportagens sobre o tema, de que o presidente tenha prometido ajudar a solucionar os problemas do Banco Master.
O Poder360 publicou detalhes da reunião com base em informações de bastidores. A reunião, disse o site, serviu para o banqueiro pedir um conselho ao presidente sobre vender ou não o Master ao BTG. Lula teria reclamado do então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato terminaria dias depois, e aconselhado Vorcaro a seguir com o Master. Ele teria lembrado a Vorcaro, também, que em breve a autarquia teria um novo presidente.
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Na reunião, estava presente Gabriel Galípolo, que em janeiro de 2025 passou a presidir o Banco Central. Ainda conforme o Poder360, Vorcaro entendeu a presença de Galípolo e as críticas a Campos Neto como um incentivo para seguir com o Master.
Segundo a Folha de S.Paulo, os relatórios do Banco Central sobre o caso deixam claro que o órgão só identificou problemas nas transações de carteiras de crédito feitas entre Master e BRB nos primeiros meses de 2025, após a reunião com Lula no Palácio do Planalto.




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