Santiago enviou nota formal de protesto após militar argentino reivindicar soberania sobre passagem estratégica entre Atlântico e Pacífico; Luciana Taddeo detalha crise e histórico entre os dois países

Compartilhar matériaChile e Argentina vivem um novo episódio de tensão diplomática envolvendo o Estreito de Magalhães, passagem que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico e está em território chileno. O impasse foi desencadeado após uma autoridade militar argentina reivindicar a soberania do país sobre o estreito, o que gerou forte reação em Santiago.

Durante o CNN 360º desta terça-feira, a correspondente da CNN em Buenos Aires, Luciana Taddeo, relatou que as declarações que originaram a atual crise partiram do chefe do Estado-Maior-Geral da Força Aérea Argentina, o general Gustavo Javier Valverde, em entrevista concedida a um podcast argentino.

Na ocasião, Valverde falou em soberania argentina sobre o Estreito de Magalhães e também sobre a Passagem de Drake, no extremo sul do continente sul-americano. Ele afirmou ser necessário "fazer presença" nessas rotas estratégicas entre os dois oceanos.

Segundo ela, no passado, os limites territoriais entre os dois países foram, de fato, objeto de disputas. "Dois tratados, de 1881 e de 1984, delimitaram até onde ia o Chile e até onde ia a Argentina", explicou a correspondente.

A repercussão foi imediata e intensa no Chile. Legisladores tanto da situação quanto da oposição chilena manifestaram repúdio às falas do militar, assim como integrantes do próprio governo chileno.

O chanceler chileno, Francisco Pérez Mackenna, foi um dos primeiros a reagir publicamente, reiterando a soberania do Chile sobre o estreito e afirmando que "as autoridades de outros países precisam ser responsáveis com suas declarações para não confundir os seus cidadãos".

Além das declarações verbais, o governo chileno decidiu formalizar seu protesto, enviando uma nota oficial ao governo argentino questionando as declarações do militar. A medida evidencia o nível de preocupação de Santiago com o episódio e a importância estratégica da região para o país.

Diante da pressão, a chancelaria argentina publicou um comunicado reafirmando que os tratados de limite de 1881 e o Tratado de Paz e Amizade com o Chile de 1984 "são os que estão vigentes e são considerados definitivos pela Argentina", reconhecendo, assim, a soberania chilena sobre o Estreito de Magalhães.