Segundo Lincoln Péricles, a preservação audiovisual brasileira precisa olhar para além das instituições tradicionais
A preservação audiovisual brasileira precisa olhar para além das instituições tradicionais. Essa foi uma das principais reflexões apresentadas por Lincoln Péricles durante a masterclass Por uma Cinemateca da Quebrada, realizada na 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Cineasta, pesquisador e fundador da iniciativa, ele defendeu a construção de políticas de memória que partam dos próprios territórios periféricos e de seus realizadores.
Lincoln destacou que o trabalho da Cinemateca da Quebrada não busca definir quais obras merecem ou não ser preservadas. O objetivo é dedicar atenção a produções historicamente negligenciadas pelos mecanismos tradicionais de guarda da memória audiovisual. Nesse sentido, o arquivo ocupa um papel central em sua própria trajetória artística e política.
Durante a palestra, o cineasta também questionou classificações e hierarquias estabelecidas pela pesquisa acadêmica e pelas instituições culturais. Defendeu a autodeclaração da obra audiovisual, argumentando que qualquer produção pode ser considerada filme quando assim é reconhecida por seu autor. Para ele, parte dessas distinções deriva de uma herança colonial que continua organizando o olhar sobre a produção cultural brasileira.
O projeto também estabelece conexões internacionais. Lincoln relacionou a condição de populações negras e indígenas no Brasil à experiência de deslocamento vivida por outros povos, afirmando que muitos já são refugiados dentro do próprio território. Nesse contexto, mencionou ainda as aproximações políticas construídas com iniciativas ligadas à Palestina e a outros movimentos de resistência.
Entre as ações realizadas ou em andamento no ciclo 2026-2028 estão a catalogação de cem filmes na publicação Manifesto Mutirão, mostras territoriais, 13 instalações internacionais, 13 oficinas gratuitas, sete processos de formação especializada, a realização do 1º Fórum Internacional do Cinema Periférico e a criação de um espaço físico para a Cinemateca da Quebrada. A gestão é compartilhada pelos coletivos 600 Filmes, Astúcia Filmes, Quitus Coletivo e Ramo.




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