A gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), vai abrir ao público uma área verde de 300 mil metros quadrados às margens da represa Billings, no extremo sul da capital. Porém, com um ano e nove meses de atraso e remarcações no cronograma, o local ainda tem ocupações irregulares em seu território e obras incompletas. Leia mais (06/24/2026 - 10h00)

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24.jun.2026 às 10h00 Atualizado: 24.jun.2026 às 16h56

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A gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), vai abrir ao público uma área verde de 300 mil metros quadrados às margens da represa Billings, no extremo sul da capital. Porém, com um ano e nove meses de atraso e remarcações no cronograma, o local ainda tem ocupações irregulares em seu território e obras incompletas.

Trata-se de uma das fases de implantação do Parque dos Búfalos, no Jardim Apurá, uma área classificada pela lei de zoneamento como Zepam (Zona Especial de Proteção Ambiental) e ponto vulnerável à grilagem de terras na periferia da cidade.

Composto por oito áreas de proteção, nem todas conectadas, o parque terá no total 540 mil m² de vegetação da mata atlântica junto à Billings, represa responsável pelo abastecimento hídrico de 1,4 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

O maior trecho tem 300 mil m² e estava previsto para ser aberto em dezembro do ano passado, mas a inauguração foi adiada. Depois, foi remarcada para o dia 27 de junho, segundo documentos e mensagens de servidores obtidos pela Folha.

Porém, após questionamentos da reportagem sobre as condições do parque, a prefeitura negou que a abertura estava planejada para essa data. Agora, isso só deve acontecer no segundo semestre, segundo a secretaria de Meio Ambiente.

Esta é a segunda fase de implantação do Parque dos Búfalos. O primeiro ponto, conhecido Núcleo Pilão, foi inaugurado no ano passado.

"Durante a execução das obras, foram necessários ajustes de prazo para o reforço das estruturas de contenção do parque", diz a prefeitura sobre os atrasos.

Neste mês, a Folha visitou o Parque dos Búfalos e conversou com moradores, funcionários e membros do conselho gestor. O cenário é bastante diferente do projeto planejado pela gestão municipal.

Duas ocupações irregulares sobrevivem dentro da área a ser inaugurada em breve.

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Uma das comunidades é a favela da Fumaça, que havia sido desapropriada em 2019, mas foi novamente ocupada e hoje tem cerca de 520 famílias, segundo os moradores. Parte do esgoto da favela, formada em parte por barracos de madeira, é despejado em um córrego que deságua na Billings.

"A prefeitura desocupou a favela, mas não demoliu as casas, então ela foi sendo reocupada com o tempo", diz Wesley Rosa, 39, ativista ambiental e membro do conselho gestor do parque.

Os antigos moradores da comunidade foram beneficiados com apartamentos no condomínio Espanha, o maior complexo habitacional do Minha Casa, Minha Vida na capital paulista, com 193 prédios e 3.860 moradias às margens da represa.