Gaslighting é a expressão utilizada para designar uma prática condenável de manipulação do outro. Uma prática mais comum em gestão do que pensamos. Ajudamos a identificar os sinais.
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este é o Querido Líder, o podcast da Rádio Observador dedicado à liderança, com os nossos especialistas residentes que têm muita experiência na formação de executivos: o professor e consultor Jorge Medeiros e o também consultor e professor na Nova SBE, Milton Sousa. Esta semana vamos falar sobre gaslighting, no fundo, a manipulação do outro para o levar onde queremos. Uma prática condenável, mas será mais comum do que pensamos? Como sempre, os nossos episódios abrem com um Sim, chefe, não chefe e esta semana a figura em destaque é Travis Kalanick, o cofundador da Uber. A nossa convidada é Joana Lamego, diretora de desenvolvimento e investigação estratégica na Fundação Champalimaud. Eu sou o Ricardo Conceição e este é o Querido Líder. Bem-vindos, Jorge Medeiros e Milton Sousa.
Vamos ao nosso primeiro segmento, o Sim, chefe, não chefe. E hoje a figura em análise é Travis Kalanick, o cofundador da Uber. É um sim, chefe ou um não chefe, Jorge?
É um não chefe. A escolha é um não chefe. Tem, obviamente, coisas muito boas, como a capacidade de fazer acontecer, o foco, etc. Portanto, não vamos por aí. Também já foi um caso muito badalado. Queria só trazer aqui um ou dois aspectos, um deles pelos quais ele ficou famoso. Ele ficou famoso por vários, um deles tem a ver com assédio sexual. E começo por citar um e-mail que ele enviou em 2013 à equipa dele quando se reuniram em Miami. Isto parece quase caricato, mas é verdade. Primeiro, eu tenho que dizer isto em inglês, peço desculpa, mandam as regras da boa educação.
O Milton depois traduz. Milton: "You better read this or I'll kick your ass".
Queres traduzir, Milton?
Porta-te bem, basicamente. Porta-te bem, não é?
Eu vou dizer: ou leem o e-mail ou podem levar um pontapé.
Acho que é a primeira vez que dizemos traseiro no Querido Líder, não é?
E foste tu que disseste.
O Milton disse primeiro. Foi ele.
Foi eu. Veio a culpa.
Sim, chefe, não chefe.
Então as cinco regras deste e-mail de 2013. Começa logo com a regra do barril de cerveja. E perguntais vós o que é a regra do barril de cerveja, e diz: "Por favor, não atirem barris de cerveja de edifícios altos". Ok, podemos passar já pra segunda porque acho que isto não merece. A regra do vômito, do vomitar.
Por cada um que vomitar vai levar uma multa de US$ 200, se vomitar em público. Depois, regras sobre relacionamentos, também estou aqui a utilizar um eufemismo. E há um parágrafo dedicado a dizer: só podem ter relações uns com os outros se houver um enfático consentimento prévio. E depois há mais outras. Outra: não falem com a imprensa. Mas o tema é este. Isto aconteceu em 2013 e, portanto, é interessante olhar para todas estas especificidades que terão vindo eventualmente de algum contexto a que eu já teria tido acesso. Em 2017, quando finalmente é lançada uma investigação sobre queixas de assédio sexual, em que ele despede 20 pessoas, portanto, passaram quatro anos, e foi basicamente uma pessoa que discriminou isto num blog. E o que ele diz é: esta pessoa, Susan, o que diz acontecer é abominável e contra tudo o que a Uber defende e em que acredita. Ou seja, o Travis Kalanick a dizer: "Eu não quero acreditar que isto possa acontecer". E diz que foi a primeira vez que ouviu tais queixas, portanto, quatro anos depois de ter pedido às pessoas para terem consentimentos explícitos e não atirarem barris de cerveja. Uma outra nota, e passo já aqui ao Milton, que é ter chegado a um acordo com a Federal Trade Commission, porque as práticas que estavam a ser implementadas na Uber eram no mínimo falaciosas, porque andavam a querer conquistar o mercado e a recrutar condutores acenando cenouras, hipervalorizando ou inflacionando o que poderiam ganhar e reduzindo ou atenuando os custos relacionados com as viaturas.
Se calhar não há muito mais a acrescentar. Mais uma vez, naquilo que tem a ver com a capacidade de disrupção, inovação e tudo o que isso implica, acho que é um exemplo de alguém que conseguiu fazer isso. A Uber, de facto, e todos nós usamos quase todos os dias hoje em dia, conseguiu trazer algo novo e inovador, e nesse aspecto acho que não há nada a contrariar a ideia de que é uma pessoa que conseguiu ser líder nesse sentido. No entanto, depois, muitas vezes até pelo próprio efeito que o poder traz, acabamos por achar que não temos mais nada a provar e que podemos ter comportamentos muito pouco recomendáveis. Portanto, claramente alguém que seguiu por maus caminhos. Curiosamente, eu acho que ele tem agora um novo negócio na área da automação.
Sim, das cozinhas. E conseguiu angariar muitos milhões de dólares de investimento. Não sei como é que isto vai correr.
Também o Adam Neumann, que já falamos aqui da WeWork.
Portanto, vamos ver que novas histórias podemos contar sobre ele no futuro. Quem sabe terá também sucesso, não sei. Mas aquilo levanta uma questão interessante. Ele estudou Computer Science na UCLA, aparentemente. É um caso tradicional de alguém que depois desistiu dos seus estudos para criar o seu negócio Que vemos com alguma frequência. Mas faz-me levantar aqui uma questão, e nós ainda por cima estamos na presença de engenheiros com frequência, da importância da formação a nível do pensamento ético, que se calhar em muitos destes temas acabam por falhar. É algo que nós estamos a ver com mais recorrência nos dias de hoje. Muitas universidades técnicas de faculdades de engenharia cada vez mais incorporam este tipo de temas nos seus programas. Eu lembro-me quando fiz engenharia eletrotécnica e de computadores no início dos anos 90.
1992 a 1997. Não tive uma única referência, cadeira sobre ética ou sobre deontologia.


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