Veículos ainda não rodam no Brasil, mas já ganharam as ruas de cidades norte-americanas como São Francisco, Orlando, Los Angeles e Austin
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Entrei num carro sem motorista em São Francisco e saí convencido de que a IA dirige melhor que muita gente que conheço. O veículo era da Waymo, empresa com mais carros autônomos rodando nos Estados Unidos, presente em cidades como Los Angeles, Orlando e Austin, embora sem previsão de chegar ao Brasil. A corrida custou o mesmo que um Uber, mas exigiu contornar um obstáculo, já que o aplicativo não está disponível para contas brasileiras da Apple e só consegui baixá-lo porque uma amiga da Califórnia logou no meu celular. Lá dentro, uma voz robótica me saudou pelo nome, mandou colocar o cinto e avisou que eu podia cantar e gritar à vontade, porque não havia ninguém para reclamar, embora as câmeras espalhadas pelo carro deixem claro que sempre tem alguém vendo. O modelo é um Jaguar I-PACE elétrico de 400 cv, escolhido menos pela potência e mais pela estabilidade, pelo conforto e pela facilidade de receber sensores, radares e o LIDAR, que cria um mapa 3D do ambiente ao redor. Durante o trajeto, o carro respeitou todas as regras de trânsito, não fechou ninguém e não tomou nenhuma decisão equivocada, e a única estranheza foi ver o volante girar sozinho, coisa com que me acostumei depressa.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Você entra no automóvel, ouve uma saudação com seu nome, mas não tem ninguém lá dentro. Aí se dá conta que a voz que acaba de falar com você é meio robótica e cai a ficha: este não é apenas mais um carro de aplicativo. Estamos em um veículo autônomo, guiado por uma inteligência artificial.
Fazia tempo que queria experimentar o serviço da empresa com mais carros autônomos em circulação nos Estados Unidos atualmente, a Waymo. Nenhum deles roda no Brasil ainda — e, a bem da verdade, não existe nem sinal de que isso esteja para acontecer num futuro próximo. Daí aproveitei que fui a São Francisco para cobrir um evento chamado Snowflake Summit e encarei o carro que tem tudo, menos motorista.
Tudo mesmo. A começar pelo fato de ser um Jaguar I-PACE, carro que parece ter sido projetado para agradar quem gosta de dirigir. Eu sei, muito irônico que logo este seja o modelo que não tem ninguém ao volante. Mas conto mais do carro já, já. Enquanto isso, deixo um vídeo que fiz enquanto o carro girava pela cidade, confira abaixo.
Chamar um carro da Waymo pode ser complicado para brasileiros que usam iPhone, porque nossa conta da Apple não oferece o aplicativo. Uma amiga generosa que mora na Califórnia logou no meu celular e, assim, consegui contornar o problema.
O preço foi o equivalente a uma corrida de Uber, o tempo de chegada após eu pedir o carro também. O veículo parou um pouco à frente de onde eu estava, exatamente no local marcado pelo GPS, coisa que um aceno a um motorista humano teria resolvido. Mas, ok, nada grave aqui.
O carro chega trancado, é preciso abrir pelo próprio aplicativo. Depois de entrar e dar oi para ninguém, você inicia a corrida numa tela que fica virada para o banco de trás do carro.
A mesma voz robótica que me saudou listou instruções de usar cinto de segurança. Em seguida, avisou que podia ouvir música alta e berrar o quanto quisesse. Afinal de contas, não tem ninguém para se queixar. É possível conectar o Spotify e outros apps para usar o sistema de som interno.
Divertido cantar alto num carro guiado por uma IA, admito. Porém, também me ocorreu que se eu precisasse de ajuda talvez fosse complicado. Mas a voz robótica avisou que tem botão para falar com alguém, caso surgisse alguma urgência.
Olha, achei ótimo. O carro seguiu todas as regras de trânsito, não fechou ninguém, não tomou nenhuma decisão que me pareceu equivocada. Achei que a IA guia melhor que várias pessoas que conheço. Só é estranho ver o volante se mexer sozinho, mas me acostumei depressa.
O carro é extremamente limpo, até porque se acontecer contratempos com imundície produzida por passageiros pós-balada (entendeu, né?) o automóvel pode ser encaminhado para lavagem com menos transtorno do que rolaria para um motorista humano. E claro, a Waymo cobra taxas quando passageiros deixam sujeira excessiva.
Quando mostrei vídeo da corrida no meu Instagram, uma pessoa falou que carros assim poderiam virar um motel. Acho pouco provável, porque o fato de não ter gente dentro não quer dizer que não tenha gente vendo. O veículo é cheio de câmera, então só alguém bem desencanado conseguiria não se importar com elas.
O automóvel tem sensores e câmeras que captam imagens e informações sobre a rua, outros carros, pedestres, sinais de trânsito, semáforos… Enfim, tudo que ele precisa saber para fazer o trabalho dele. Alguns sensores, como um que se chama LIDAR, conseguem criar um mapa 3D do ambiente em volta do carro.
Também tem radares de outros tipos que ajudam a medir a distância de outros objetos em condições climáticas desafiadoras, mesmo que o dia esteja escuro ou se o carro for rodar à noite, na chuva, em neblina, nevoeiro.
E, do mesmo jeito que a gente colocamo um endereço no GPS, o sistema recebe um destino. A diferença é que ele não depende apenas do sinal de satélite. A Waymo combina mapas detalhados com os dados coletados em tempo real pela tecnologia embarcada no carro. É como se alguém fundisse o Waze e o Uber numa máquina só, numa versão mais fermentada.
O Jaguar I-PACE tem dois motores elétricos, um em cada eixo, formando um sistema de tração integral permanente. Juntos, entregam 400 cv de potência e 696 Nm de torque disponíveis instantaneamente. Na prática, isso significa acelerações vigorosas em qualquer velocidade — muito embora a IA seja prudente e não faça nada brusco (pelo menos não fez enquanto o passageiro era eu).
O visual também foge do lugar-comum. Em vez de copiar o desenho tradicional dos SUVs, o I-PACE mistura proporções de crossover, cupê e hatch esportivo. O capô curto, a cabine avançada e as linhas musculosas deixam claro que o objetivo era privilegiar aerodinâmica sem abrir mão da identidade da Jaguar.
Talvez o maior elogio ao I-PACE seja justamente o fato de ele ter sido escolhido pela Waymo. Para um robotáxi, seus 400 cv são quase um luxo desnecessário. Mas a base elétrica, o espaço interno, a tração integral e o rodar confortável fazem sentido para um serviço que precisa transportar passageiros durante boa parte do dia.
Ao chegar ao destino, ele deu uma volta a mais porque um carro impedia que a gente virasse à esquerda, já a poucos metros de onde eu desceria. Aqui, sim, senti falta de poder falar para um humano: “Moço, pode encostar ali mesmo que eu caminho esse trechinho.”


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