Brasil e Haiti voltam a se enfrentar nesta sexta (19) pela Copa do Mundo de 2026, mas a relação entre os dois países vai muito além do futebol. Desde 2004, o Brasil teve participação em um dos períodos mais turbulentos da história haitiana ao liderar a Missão…
Brasil e Haiti voltam a se enfrentar nesta sexta (19) pela Copa do Mundo de 2026, mas a relação entre os dois países vai muito além do futebol. Desde 2004, o Brasil teve participação em um dos períodos mais turbulentos da história haitiana ao liderar a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).
A operação foi criada após a crise política que derrubou o presidente Jean-Bertrand Aristide e levou o país à beira da guerra civil. A pedido da ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil assumiu o comando militar da missão e permaneceu nessa posição até 2017, tornando-se o principal responsável pela força internacional de paz instalada no território haitiano.
O período foi marcado por denúncias de violação de direitos humanos, violência letal e exploração sexual sistêmica. Entre os militares brasileiros que passaram pela operação estão dois nomes que mais tarde ganharam destaque na política nacional.
O massacre ocorreu em 2005, quando militares promoveram uma ação na região periférica habitada por 200 mil e dispararam mais de 22 mil cartuchos de munição. Entre as vítimas estavam ao menos 20 mulheres e adolescentes.
Também foram feitas mais de 2 mil denúncias de abuso e exploração sexual contra militares no período. Segundo relatórios produzidos após o fim da missão, eles ofereciam comida, água e pequenas quantidade de dinheiro para mulheres e meninas em situação de extrema vulnerabilidade em troca de sexo.
Em 2010, também houve uma epidemia de cólera causada por negligência a protocolos sanitários. Os militares descartavam vezes contaminadas diretamente no Rio Artibonite, principal fonte de água no país. Nessa época, surgiram os primeiros casos da doença após mais de um século.
A epidemia matou mais de 10 mil haitianos e infectou mais de 800 mil pessoas. A ONU negou responsabilidade pela crise durante anos e só no final de 2016 o então secretário-geral Ban Ki-moon pediu desculpas formais.
No total, sete bolsonaristas participaram da missão no Haiti:
Ao longo de 13 anos, mais de 36 mil militares brasileiros participaram da operação. Segundo dados do Ministério da Defesa, o custo para o Brasil chegou a R$ 2,5 bilhões, dos quais cerca de R$ 930 milhões foram ressarcidos pela ONU. A atuação brasileira envolveu ações de segurança, apoio institucional e reconstrução de infraestrutura.
O terremoto que atingiu o Haiti em janeiro de 2010 aumentou o papel das tropas internacionais. A tragédia deixou mais de 100 mil mortos, cerca de 300 mil feridos e 1,5 milhão de desabrigados. A partir daquele momento, os esforços passaram a incluir missões humanitárias, assistência à população e apoio à reconstrução do país.


