Gatos costumam fugir até da caixinha de transporte - Canva São poucos os pets que gostam de ir ao médico-veterinário, mesmo quando o tutor tenta fazer parecer um passeio. Tentar se esconder, tentar fugir e até tentar morder o profissional de saúde durante o atendimento. Essas reações podem ter origem em experiências anteriores desagradáveis, como vacinas, exames ou procedimentos que causaram desconforto.

No caso dos cães, algumas características comportamentais podem tornar a ida ao veterinário especialmente desafiadora. Por conta da característica mais impulsiva, os cães mais ansiosos e inseguros podem reagir com o uso da força, puxando a guia na direção contrária ao local de atendimento. Outro comportamento comum de cãezinhos é começar a latir excessivamente. 

Dependendo do temperamento e da socialização do cachorro, a sobrecarga de estímulos (sons e odores, principalmente) pode provocar uma reação intensa de medo, fazendo com que o pet fique agitado ou, em alguns casos, apresente comportamentos defensivos, como rosnar e tentar morder. Isso não significa necessariamente agressividade: muitas vezes, é uma resposta ao medo e à sensação de não ter controle sobre a situação.

Além disso, os cães costumam estar bastante atentos ao comportamento dos próprios tutores. Se a pessoa demonstra nervosismo, pressa ou preocupação, o animal pode perceber mudanças na voz, nos movimentos e na tensão corporal, tornando-se ainda mais inquieto. A necessidade de entrar no carro, caminhar por um local desconhecido e ser manipulado por uma pessoa que não faz parte de sua rotina pode representar uma sequência de situações capazes de aumentar a excitação e a impulsividade. Por isso, conhecer o perfil individual do cachorro é fundamental para tornar a visita ao veterinário menos estressante.

Levar petiscos ou algum brinquedo de que o seu cãozinho goste pode criar associações mais positivas com o percurso e o atendimento, enquanto respeitar o ritmo do cachorro, sem forçá-lo desnecessariamente, ajuda a diminuir a sensação de ameaça. 

Gatos possuem um temperamento diferente dos cachorros, e essa individualidade deve ser levada em consideração tanto por sua família humana quanto pelos veterinários durante as consultas de rotina. 

Para muitos felinos, o mal-estar começa antes da chegada à clínica ou hospital, com o ingresso na caixa de transporte e o deslocamento de carro. Ao entrar no ambiente médico, o desafio continua, com o contato com cheiros e sons desconhecidos e outros animais. 

"Ao contrário dos cães, que costumam demonstrar emoções de forma mais evidente, os gatos tendem a reagir de maneira mais discreta diante de situações de medo e ansiedade. Alguns ficam completamente imóveis, outros tentam fugir ou se esconder. Eles também podem reagir à manipulação ou miar bastante", explica Dra. Camila Ferreiro, médica-veterinária especialista em felinos do Veros Hospital Veterinário.

Segundo a médica-veterinária, a preparação em casa pode reduzir significativamente o impacto da visita ao veterinário para felinos. 

"A caixa de transporte deve ficar acessível ao gato alguns dias antes da consulta com uma manta ou objeto familiar dentro dela. Durante o trajeto, cobri-la parcialmente ajuda a diminuir os estímulos visuais. O pet pode permanecer nela até o momento do atendimento e é importante evitar retirá-lo de maneira abrupta. Além disso, podem ser utilizados feromônios específicos, desde que haja autorização prévia do veterinário".

O comportamento dos gatos é fortemente influenciado pelo ambiente. Sons intensos, odores de outros animais, movimentação constante e o contato com cães podem aumentar o estado de alerta dos felinos, tornando toda a jornada da consulta ainda mais difícil e estressante. Clínicas adaptadas para suas necessidades diminuem o nível de tensão e permitem que a consulta seja conduzida de maneira mais tranquila. 

"Na medicina felina, o ambiente faz parte do atendimento. Quando o gato é recebido em um espaço pensado para ele, conseguimos realizar a consulta de forma mais tranquila e segura. Isso melhora a experiência do animal e também facilita a avaliação clínica", destacou Camila.