Bom dia. A eleição suplementar de Roraima entra para a história, não pelo resultado das urnas, mas pelo labirinto jurídico que a antecedeu. No entanto, a raiz dessa turbulência remonta a 2024, quando o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR) cassou a chapa formada por Antonio Denarium (ex-Progressistas, hoje no Republicanos) e Edilson Damião (ex-Republicanos, hoje no [...] O post Confusões para uma população de 700 mil habitantes que deveria ser minimamente respeitada apareceu p

A eleição suplementar de Roraima entra para a história, não pelo resultado das urnas, mas pelo labirinto jurídico que a antecedeu. No entanto, a raiz dessa turbulência remonta a 2024, quando o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR) cassou a chapa formada por Antonio Denarium (ex-Progressistas, hoje no Republicanos) e Edilson Damião (ex-Republicanos, hoje no União Brasil) por abuso de poder político e econômico. O desfecho definitivo, contudo, só veio em 30 de abril de 2026, após mais de dois anos de tramitação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre pedidos de vista e sucessivos adiamentos. Quando a decisão finalmente chegou, trouxe consigo uma urgência que o próprio sistema havia criado.

Em poucas semanas, o Estado assistiu à troca de governador, à convocação de uma eleição suplementar e a uma sucessão de controvérsias sobre regras elementares do processo. A Resolução nº 584/2026 do TRE-RR estabeleceu o calendário do pleito e adotou o entendimento de que a desincompatibilização dos candidatos poderia ocorrer em 24 horas após as convenções partidárias. A interpretação acabou questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Flávio Dino suspendeu a eficácia da norma, determinando a aplicação dos prazos previstos na legislação nacional, que variam entre três e seis meses. Posteriormente, o próprio TRE-RR precisou adequar o calendário por meio da Resolução nº 590/2026.

Mas essa celeuma estava longe do fim. A questão chegou ao TSE, onde o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, levou o tema ao plenário e chegou a formar maioria. Antes da conclusão do julgamento, porém, um pedido de vista interrompeu a análise. A poucos dias da eleição, Flávio Dino precisou voltar ao caso para esclarecer que sua decisão continuava produzindo efeitos e somente o próprio STF poderia modificá-la. Pouquíssimos dias antes da votação, as mais altas instâncias da Justiça brasileira ainda discutiam quais regras deveriam prevalecer.

Roraima foi chamado a voltar às urnas para escolher um governador para finalizar o mandato de Denarium e Damião. E o desfecho produziu um já previsto altíssimo índice de abstenção, desinteresse e a sensação de que o sistema, concebido para assegurar estabilidade, acabou impondo ao cidadão o ônus de uma instabilidade que não foi criada por ele. Por fim, quem terminou mais exausto e desesperançoso foi justamente o eleitor. E esse impasse deve continuar…

A Nota Oficial emitida pelo TRE-RR não definiu quase nada, exceto que o governadpr Soldado Sampaio (Republicanos) continuará no cargo até o desfecho do caso, hoje à cargo do STF e do TRE-RR, que têm decisões opostas. E quem vai resolver esse cabo-de-guerra? Quando ela será decidida? São mais confusões para uma população de mais de 700 mil habitantes que deveria ser minimamente respeitada.

A eleição suplementar para o Governo de Roraima terminou sem a definição imediata do vencedor. Segundo a totalização do TSE, Arthur Henrique (PL) recebeu 160.004 votos, o equivalente a 60,87% do total, mas a votação foi registrada como anulada sub judice em razão de sua candidatura ainda depender de decisão das instâncias superiores.

O governador interino Soldado Sampaio obteve 93.897 votos, correspondentes a 35,72%, enquanto Nelita Frank (PT) recebeu 8.948 votos, ou 3,40%. Diante da situação, o TRE-RR informou que a proclamação definitiva do resultado ficará condicionada ao julgamento final do registro de candidatura de Arthur Henrique. Soldado Sampaio permanece no cargo de governador enquanto isso.

Roraima registrou cerca de 30% de abstenção na eleição suplementar deste domingo (21), com mais de 112 mil eleitores que não compareceram às urnas. O índice é quase o dobro da média de 16% registrada nos pleitos anteriores. Quase um terço do eleitorado roraimense preferiu não votar ou justificar a ausência, salto que reflete, segundo analistas do cenário eleitoral, o clima de desconfiança que marcou toda a campanha.

Nas filas das seções eleitorais de Roraima neste domingo, o clima entre eleitores comuns era de insatisfação, bem diferente do entusiasmo visto entre cabos eleitorais e assessores de campanha. Editores desta coluna ouviram moradores que classificaram a eleição suplementar como desnecessária, um desperdício de recursos públicos.

A eleição suplementar registrou pelo menos três ocorrências em Boa Vista. No bairro Cidade Satélite, um coordenador de campanha foi flagrado pela Guarda Civil Municipal (GCM) dentro de uma caminhonete com dinheiro em espécie e papéis com possíveis registros de pagamentos, suspeita de crime eleitoral. Em um colégio militarizado, no Cinturão Verde, um homem foi preso por fotografar a urna eletrônica no momento do voto. Houve ainda um princípio de ocorrência na Universidade Estadual de Roraima (Uerr) e na escola Gonçalves Dias, onde fiscais foram flagrados com crachás de cores que identificavam partido ou coligação, prática vedada no dia da votação.

O Inope, em parceria com a Folha BV, voltou a confirmar a precisão de seus levantamentos ao acertar os percentuais da eleição suplementar dentro da margem de erro (que foi de 2,19 pontos percentuais). O levantamento apontava Arthur Henrique com 61,26% dos votos válidos, seguido por Soldado Sampaio, com 36,85%, e Nelita Frank, com 1,89%. No resultado oficial, o ex-prefeito confirmou a liderança com 60,87%, Sampaio obteve 35,72% e Nelita 3,40%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número 06008/2026 e ouviu dois mil eleitores entre 8h e 16h30, durante o dia da votação.

O economista Haroldo Amoras, ex-secretário de Planejamento e de Finanças de Roraima, desmontou neste domingo, em entrevista ao programa Agenda da Semana, na rádio Folha FM 100.3, a narrativa do ex-governador Antonio Denarium de que teria deixado o Estado com as contas em ordem. Segundo os números apresentados por Amoras, Roraima tinha uma dívida consolidada bruta de R$ 2 bilhões quando Denarium assumiu, em 2018, e fechou 2025 com R$ 3,1 bilhões, um aumento de mais de R$ 1 bilhão no período.

Segundo ele, o governador eleito se depara com um cenário em que as contas parecem não fechar com o discurso de quitação de dívidas repetido pelo ex-governador Antonio Denarium. Para o próximo Governo, mesmo amortizando parcelas de empréstimos antigos ao longo da gestão, novos financiamentos elevaram o estoque total, e ainda restou um passivo de R$ 1 bilhão em precatórios não pagos até 2025, segundo Amoras.

Roraima fechará 2026 com arrecadação própria estimada em R$ 3 bilhões, mas esse valor sequer cobre a folha de pessoal do Estado, hoje estimada entre R$ 4 bilhões e R$ 4,4 bilhões. A informação apresentada pelo economista Haroldo Amoras, ao detalhar a estrutura de receitas do Estado, aponta que 66% a 67% do total vêm de transferências federais, como FPE (Fundo de Participação dos Estados) e Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), e apenas um terço é arrecadação própria via ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).

Com o FPE projetado sem crescimento expressivo para 2026, o espaço para gastos sem ampliar a captação de emendas parlamentares e recursos da União é cada vez mais estreito. Segundo Amoras, o caminho é organizar um portfólio de projetos que parlamentares possam usar para captar emendas, algo que, segundo ele, Roraima ainda não possui estrutura eficiente para isso.

Boa Vista vai construir dez novas quadras poliesportivas com recursos do Programa Calha Norte, do Ministério da Defesa. O convênio firmado entre a Prefeitura de Boa Vista e a União prevê investimento de aproximadamente R$ 17,7 milhões. Entre as quadras previstas estão uma no Bela Vista (R$ 2,09 milhões), duas no Laura Moreira (R$ 4,04 milhões, somadas) e unidades nos bairros Cidade Satélite, Jardim Tropical, Jóquei Clube, Olímpico, Cauamé e Araceli Souto Maior, com custos individuais variando entre R$ 1,75 milhão e R$ 2,04 milhões.

As poderosas antenas da coluna, trazem para o site aquelas conversas que esquentam os bastidores da política local. Informação, Denúncia e as notinhas apimentadas que só a coluna publica de segunda a sábado.

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