Conheça drag queen baiana com nome de batismo inspirado em artilheiros do Tetra Nascida dias após a conquista do tetracampeonato mundial do Brasil na Copa de 1994, a maquiadora Roma Aragão foi registrada como Roberto Romário, em homenagem aos artilheiros da época. O nome contrasta com sua identidade de gênero não binária e com sua expressão artística como drag queen. 🔎A não binaridade se refere a pessoas cuja identidade de gênero não se restringe à lógica binár
Por Natally Acioli, João Souza, g1 BA
24/06/2026 03h00 Atualizado 24/06/2026
Registrada como Roberto Romário após a Copa de 1994, a drag queen e maquiadora não binária Roma Aragão transformou seu nome inspirado no futebol em símbolo de identidade.
O nome veio de promessa dos pais Rosângela Chagas e Toni Jorge. Na adolescência, Roma enfrentou conflitos, mas ressignificou o nome adotando o apelido derivado de Romário.
A não binaridade se refere a pessoas cuja identidade de gênero não se restringe à lógica binária, ou seja, à noção de que somente existiriam homens e mulheres.
Conheça drag queen baiana com nome de batismo inspirado em artilheiros do Tetra
Nascida dias após a conquista do tetracampeonato mundial do Brasil na Copa de 1994, a maquiadora Roma Aragão foi registrada como Roberto Romário, em homenagem aos artilheiros da época. O nome contrasta com sua identidade de gênero não binária e com sua expressão artística como drag queen.
🔎A não binaridade se refere a pessoas cuja identidade de gênero não se restringe à lógica binária, ou seja, à noção de que somente existiriam homens e mulheres (entenda mais abaixo).
A escolha do nome composto veio de uma promessa dos pais, Rosângela Chagas, de 65 anos, e Toni Jorge, de 63, fãs de futebol. Caso a seleção brasileira fosse campeã, o filho receberia o nome de jogador.
"Ele nasceu três dias depois que acabou a Copa e o pai dele acabou colocando os dois nomes. Eu tinha mandado colocar só Roberto. Romário estava fora, mas ele [o pai] botou", explica Rosângela.
Drag queen Roma Aragão foi batizada como Roberto Romário — Foto: Natally Acioli/g1
Em entrevista ao g1, Roma revela que ama o contraste e a "confusão" que causa na cabeça das pessoas ao associar seus traços femininos e a arte drag a um nome tão ligado ao futebol.
"Sou apaixonada por esse universo andrógino. Eu sempre gostei de ser menino e ter esses traços mais femininos, então eu amo esse contraste, amo essa confusão que acontece na cabeça das pessoas", afirma.
Roma também destaca que, embora o futebol ainda seja visto como um ambiente masculino, drag queens também se interessam pelo esporte, torcem e vestem a camisa dos times.
Diante disso, ela faz um apelo por mais inclusão e incentiva a comunidade drag a ocupar esses espaços. "Sou uma drag queen que gosta de futebol, que gosta do seu nome, que gosta da Copa, eu falo para esse ambiente que, por favor, nos aceitem", pediu.
Hoje Roma tem orgulho do nome, mas não foi sempre assim. Na adolescência enfrentou conflitos internos por causa da dualidade entre a identidade de gênero não binária e o nome masculino. No início da carreira drag, chegou a adotar o nome artístico Isabela Sodré.
O processo de ressignificação veio com o tempo, maturidade e diálogo. Ao falar sobre o nome de batismo e despertar a curiosidade das pessoas, passou a enxergar a própria história de outra forma.
"Eu gosto muito do meu nome Romário. 'E aí, Roma', era a forma que meus amigos e familiares me chamavam, era um apelido carinhoso", detalhou.
Com isso, ela decidiu adotar "Roma", apelido derivado de Romário, como nome de sua drag queen. “Não mantive ‘Romário’ porque, ao me apresentar, me ligavam a outra persona. Por mim, manteria sem problema. Então, abreviei para ‘Roma’, mas sempre deixo claro que meu nome é Romário”, explica.
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