Copa tem patrocínio de empresa vetada no Brasil por atuação em apostas
A Fifa (Federação Internacional de Futebol) fechou patrocínio com a empresa ADI Predictstreet, que atua no mercado de previsões, para a Copa 2026. Por um acordo entre as partes, outra empresa desse setor, a Kalshi, também tem sua marca exibida nos campos do Mundial.
Em abril deste ano, a Kalshi teve seu site bloqueado no Brasil pelo Governo Federal por atuação ilegal no mercado de apostas. O Ministério da Fazenda confirmou que a empresa está impedida de operar no país.
"Conforme esclarecido pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), por meio da Nota Técnica nº 2.958/2026, essas plataformas de mercado de previsões foram consideradas irregulares por explorarem apostas sem a devida autorização", disse o órgão ao UOL.
"De acordo com os levantamentos da SPA, o bloqueio já foi implementado pela maioria dos provedores. De toda forma, por se tratar de mercado irregular, sua oferta e divulgação no país permanecem vedadas."
Há diversos outros países que bloqueiam empresas do mercado de previsões. Essas plataformas consistem em serviços digitais que permitem às pessoas fazerem previsões com apostas, umas contra as outras, sobre eventos políticos e esportes, numa lógica similar a uma bolsa de valores.
A ADI Predictstreet fechou o contrato de patrocínio com a Fifa em 2 de abril de 2026. É uma das empresas na categoria principal de parcerias para o Mundial.
A revista "Josimar" já havia revelado que a ADI Predictstreet tinha sido recentemente fundada e passou a ter um site pouco antes de assinar com a Fifa. A sede da empresa é em Gibraltar, um paraíso fiscal, e há ainda ainda um problema com o CEO da companhia.
A parceria da ADI com a Kalshi foi assinada em 26 de junho, durante a Copa do Mundo. Pelo acordo, a Kalshi passou a ser exibida também nas placas em volta do campo. Ambas passaram a atuar juntas no mercado de previsões. Motivo: a ADI não tinha autorização para atuar nos EUA.
Em abril, o Ministério da Fazenda e a Casa Civil anunciaram uma operação para fechar os sites de 27 empresas de mercado de previsões. Dentre elas, estava a Kalshi.
A alegação dos órgãos é que, apesar de se apresentarem com outro setor, as companhias de previsões atuavam em moldes similares às casas de apostas. Mas, ao contrário das bets, não tinham licença, não pagavam impostos e não eram fiscalizadas.
Uma nota da Secretaria de Prêmios e Apostas, de 23 de abril, deixou clara a ilegalidade das empresas do mercado de previsões. A Kalshi, inclusive, é citada como uma das maiores do setor.
"Para fins de enquadramento jurídico, as plataformas de mercados de previsão buscam se apresentar como instrumentos financeiros ou contratos atípicos. Todavia, a análise de sua dinâmica de funcionamento e objeto revela identidade com a modalidade lotérica de aposta de quota fixa, cuja exploração foi autorizada no ordenamento jurídico brasileiro a partir da Lei nº 13.756/2018, posteriormente aperfeiçoada pela Lei nº 14.790/2023. Tais plataformas simplesmente reproduzem os elementos essenciais das apostas de quota fixa", diz uma nota técnica do Ministério da Fazenda.
A conclusão da nota é que as empresas atuavam de forma ilegal no Brasil.
"Feitas essas considerações, entende-se que as plataformas de mercados de previsão que ofertam contratos de eventos reais de temáticas esportivas e outras temáticas diversas de econômico financeiras exploram ilicitamente a modalidade lotérica de aposta de quota fixa, sugerindo-se que seu acesso por brasileiros seja bloqueado por esta Secretaria, conforme previsto na Lei nº 14.790/23, em seu art. 17."
Outros países também proíbem o mercado de previsão, como França, Bélgica, Polônia, Itália, Chipre, Alemanha, Grécia, Suíça, Ucrânia, Romênia, Portugal e Hungria. Nos EUA, a Kalshi também está impedida de atuar em alguns estados.
No caso da ADI Predictstreet, a revista "Josimar" apontou que o CEO, Dimitrios Psarrakis, era assessor de uma parlamentar europeia envolvida no Qatar Gate.
Trata-se de um escândalo em que eurodeputados receberam dinheiro do Qatar para beneficiar seus interesses. Pasarrakis, no entanto, não sofreu nenhuma acusação até agora no caso.
O UOL procurou a ADI Predictstreet e a Fifa, mas não teve respostas.
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