Entre palpites e figurinhas, os pequenos descobrem a emoção de vibrar pelo Brasil, enquanto pais relembram suas próprias estreias no Mundial de futebol

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A empolgação de viver a primeira Copa do Mundo. É o que estão experimentando crianças que ainda não tinham nascido no mundial disputado no Catar, em 2022, ou que eram pequenas demais para lembrar do torneio passado e descobrem, em 2026, um mundo de possibilidades. A emoção de torcer pelo Brasil, reunir a família para assistir aos jogos, comemorar as vitórias, colecionar o álbum de figurinhas, além de outras que nem imaginam. O Estado de Minas entrevistou crianças de diferentes idades que vivenciam, pela primeira vez, um Campeonato Mundial de Futebol da Fifa. Mas também ouviu os pais para saber quais lembranças guardam de seu primeiro mundial e a diferença para a estreia dos filhos, além dos aprendizados que a competição proporciona. Para especialista, o evento ensina sobre pertencimento e frustração.

A estudante Sofia Fochat, de 11 anos, define o sentimento de vivenciar sua primeira Copa do Mundo. “É o máximo.” Ela diz que fica nervosa assistindo às partidas. “Quando o Brasil faz o gol, a gente grita. Mas quando perde um gol na cara, fico brava e xingo”, se diverte.

A menina também já tem suas superstições, como é de praxe entre torcedores de futebol. Conta que ela e o pai, o contador Felipe Augusto de Freitas, de 39, ganharam camisas amarelas da academia onde ele malha. Ambos já consideram as peças verdadeiros amuletos da sorte. “Toda vez que vestimos, o Brasil faz um gol.” O pai confirma e diz que no último jogo, contra o Japão, vestiu uma camisa azul da Seleção que ganhou de presente. Porém, quando o japonês Kaishu Sano abriu o placar, decidiu tirar a camisa nova e voltou para a amarela da sorte. Depois disso, a Seleção Brasileira empatou o jogo com gol do volante Casimiro.

Sofia também entrou na febre de fazer o álbum da Copa. “No início eu não queria, depois vi todo mundo na minha escola fazendo e me animei.” Ela diz que se diverte com a tarefa de trocar as figurinhas repetidas e espera completar o álbum em breve. “Faltam umas duas em cada página.”

Os jogos da Seleção também proporcionam a oportunidade de reunir a família para acompanhar as partidas. “Fazemos churrasco, estrogonofe, lasanha. É muito bom”. A menina diz que se o Brasil for campeão vai querer sair para comemorar. “Tem que ir. Todo brasileiro vai sair, gritar, chorar de alegria.” Questionada sobre o motivo de o brasileiro gostar tanto de futebol, ela diz não saber explicar direito, mas tem um palpite. “Brasileiro gosta de torcer e se diverte vendo futebol.”

De sua primeira Copa, o pai de Sofia diz guardar na memória os vizinhos se reunindo para pintar as ruas e enfeitá-las com bandeirinhas. O contador acredita que as pessoas se reuniam mais para assistirem aos jogos. “Amigos, vizinhos.”

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Outro que acompanha atentamente o mundial é o estudante Daniel Rossi, de 13. Diferentemente das crianças menores, ele observa a competição com um olhar mais crítico. Para o adolescente, a Copa tem sido marcada por partidas equilibradas, embora ele ainda espere mais da Seleção Brasileira. “Está sendo um bom evento, com jogos disputados. O Brasil não está jogando tão bem, mas está jogando”, avalia.Daniel conta que assistiu a todas as partidas da Seleção e também acompanha confrontos de outras equipes. Entre os jogos que despertaram seu interesse estão os da Seleção de Cabo Verde. Apesar da paixão pelo futebol, ele demonstra preocupação com o desempenho da equipe comandada por Carlo Ancelotti. “O time não está coordenado. Está faltando organização”, opina.

DESCOBERTAS NO FUTEBOL

Também vivenciando o primeiro Mundial de futebol estão os irmãos Ana Luiza Valadares, de 9, e Lorenzo, de 6. A mais velha é tímida e diz que gosta de ver o Brasil jogar e ganhar. Já o caçula não para quieto e tem na ponta da língua seu jogador preferido da Seleção: “Vini Júnior.” A irmã compartilha da opinião e se solta ao explicar que os mascotes oficiais, representando os três países-sede do torneio, conquistaram seu coração. Ela fala, com desenvoltura, que o alce Maple representa o Canadá, a águia Clutch os Estados Unidos e a onça-pintada Zayu, o México.

Muito além do álbum: troca de figurinhas da Copa aproxima gerações em BH 

Ana Luiza e o irmão também estão colecionando figurinhas para completar o álbum do torneio. A menina conta que gosta do passatempo para conhecer os jogadores tanto do Brasil quanto de outros países e cita os estrangeiros que aprendeu a admirar. “Vozinha, Haaland, Cristiano Ronaldo, Messi e Lamine Yamal.” Ela também fala da experiência de assistir ao jogo do Brasil, na última segunda-feira (29/6), na escola. “Achei mais divertido, porque estou com meus amigos.”

A mãe dos dois, a professora Fabriciana Rocha, de 45, lembra que sua primeira Copa, acompanhando os jogos, foi a de 1994. “Tinha um irmão mais velho, que não ligava muito, e uma irmã bem mais nova. Eu me lembro de me sentar na frente da televisão, assistir aos jogos, conhecer os jogadores. A Copa do Mundo era algo mágico. Lembro que a final, assisti e comemorei sozinha. Foi algo bem marcante.”

Ela diz que foi a partir daquele mundial que passou a gostar e acompanhar futebol. “Já na fase adulta não me encantei tanto, até pelos resultados que a Seleção apresentava.” A mãe conta que é a primeira Copa em que a filha mais velha já entende e o mais novo acompanha com entusiasmo, embora sem compreender a dimensão e a importância da competição. “Fui surpreendida com eles falando da Copa do Mundo em casa. O desejo do álbum veio do Lorenzo.” A abertura dos pacotes de figurinhas, segundo ela, se tornou um evento na casa da família. “É uma festa. Querem ver quantas figurinhas, quais são repetidas, quais eles ainda não têm, trocam com os amigos na escola.”

A febre das figurinhas também conquistou Daniel. O adolescente conta que completar o álbum foi até agora uma das partes mais divertidas da experiência da Copa. “Foi muito divertido, mas demorou um pouco para completar.” O pai dele, o técnico em manutenção Márcio Adriano de Assis, acompanhou de perto a missão. Segundo ele, a busca pelas figurinhas mobilizou a família durante semanas. Nossa, não foi fácil. Fomos em muitas bancas e pontos de troca, mas ele estava doido para completar esse álbum”, relata.

CONFIANÇA NA SELEÇÃO

Uma pesquisa divulgada pelo instituto Ipsos-Ipec, na semana passada, mostra que os brasileiros não estão animados com a Copa de 2026. Segundo o levantamento, 39% dos entrevistados afirmam est