O  Corinthians mandou fazer 500 cartões de visita para Fernando José da Silva, dono da Mega Assessoria Operacional, empresa que é alvo de investigação do...

O Corinthians mandou confeccionar 500 cartões de visita para Fernando José da Silva, conhecido como Nandão, personagem central da investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre a contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda., empresa de controle de acesso que operou no clube sem contrato formal, entre agosto e outubro de 2025.

A reportagem teve acesso à nota fiscal emitida em 26 de agosto de 2025, um dia após a eleição definitiva de Osmar Stábile para a presidência do clube. O registro não informa qual função seria exercida por Fernando no Corinthians naquele momento, mas indica uma vinculação formal suficiente para justificar a confecção do material.

O UOL também teve acesso a um trecho de planilha interna do clube com solicitações semelhantes realizadas no mesmo período. A relação reúne pedidos de cartões para dirigentes, funcionários e prestadores de serviço de diferentes departamentos da administração corintiana.

A documentação obtida pelo UOL acrescenta um novo elemento à discussão sobre a função exercida por Fernando José da Silva na estrutura do Corinthians. Ao longo da investigação, diferentes versões foram apresentadas sobre sua atuação no clube.

Fernando foi descrito em documentos e manifestações distintas como gerente operacional e coordenador operacional do clube social e do CT Joaquim Grava, de acordo com reportagens publicadas nos dias 13 e 16 de maio pelo UOL.

Posteriormente, em matéria divulgada em 29 de maio, o UOL revelou que o Ministério Público identificou contradições nas versões apresentadas durante a apuração sobre a contratação da Mega Assessoria Operacional. O despacho obtido pela reportagem registrou surpresa dos promotores ao constatarem que a empresa contratada pertencia ao próprio Fernando José da Silva.

O Corinthians havia apontado o empresário como um dos responsáveis pela contratação emergencial da prestadora de serviços. As informações apuradas pelo UOL indicam que Fernando ganhou proximidade com Osmar Stábile durante a crise política vivida pelo Corinthians após o afastamento de Augusto Melo da presidência.

Fernando passou a atuar na reorganização operacional relacionada à segurança e ao controle de acesso do clube após episódios de invasão e conflitos internos no Parque São Jorge. Ele foi colocado na função de coordenador operacional em caráter inicialmente temporário. A medida teria sido adotada de forma emergencial após empresas terceirizadas de segurança ignorarem determinações da nova gestão.

As informações obtidas pelo UOL apontam, porém, que a atuação de Fernando se estendeu além do período inicialmente tratado internamente como emergencial. Segundo a apuração, ele permaneceu responsável por demandas ligadas à logística de segurança e à escolta de delegações do clube até os primeiros meses de 2026.

A atuação teria seguido até aproximadamente abril ou maio deste ano. A continuidade desse trabalho ocorreu paralelamente à investigação do Ministério Público sobre a contratação da Mega Assessoria Operacional sem contrato formal.

Documentos reunidos pelo MP indicam atuação simultânea de Fernando José da Silva como integrante da operação do Corinthians e proprietário da empresa contratada emergencialmente. O caso envolve ainda a emissão de notas fiscais posteriormente substituídas após inconsistências identificadas internamente pelo clube.

Em reportagem publicada em 22 de maio, o UOL revelou que a Mega Assessoria Operacional emitiu novos documentos fiscais após o Corinthians identificar problemas em notas anteriores relacionadas aos serviços prestados no Parque São Jorge. E-mails internos obtidos pela reportagem mostravam que o clube discutia a regularização da documentação desde dezembro de 2025.

O presidente Osmar Stábile passou a ser investigado no caso após depoimento do ex-diretor administrativo Fabio Soares. O UOL procurou Fernando José da Silva, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

As informações apuradas pelo UOL indicam ainda que foi apresentada documentação contendo transferências via PIX relacionadas aos pagamentos recebidos pela Mega Assessoria Operacional durante a prestação de serviços ao Corinthians.

Segundo relatos obtidos pela reportagem, os documentos buscam demonstrar que a maior parte dos valores recebidos pela empresa foi repassada a pessoas que teriam atuado na operação de controle de acesso e segurança do clube durante o período investigado.

A versão apresentada ao UOL sustenta que os recursos restantes foram destinados ao pagamento de despesas tributárias e operacionais relacionadas à atividade da empresa.

O Ministério Público investiga possíveis irregularidades na contratação da Mega Assessoria Operacional, incluindo a ausência de contrato formal, a emissão de notas fiscais e eventual conflito de interesses envolvendo a participaçã