Lateral-esquerdo é um dos destaques do Brasil na Copa do Mundo e ficou 9 anos longe das listas de convocados
Douglas Santos é uma das melhores notícias da seleção brasileira na fase de grupos da Copa do Mundo. O lateral-esquerdo chegou ao Mundial quase desconhecido do grande público, como possível reserva de Alex Sandro. Três jogos depois, é titular absoluto e um dos pilares do time do técnico Carlo Ancelotti.
As dúvidas se transformaram em elogios, ainda que comedidos. Em referências na mídia e nas redes sociais, o lateral é associado a palavras como "honesto" e "correto". Com boas atuações defensivas e apresentando-se como opção no ataque, ele se transformou no lateral que avança como ala, suprindo do outro lado do campo a ausência do cortado Wesley.
Danilo, um dos líderes do elenco e alçado à posição de titular pelo corredor direito, afirmou, em entrevista coletiva após a estreia na Copa, que a seleção precisava de laterais que sejam taticamente eficientes.
Douglas Santos se encaixa perfeitamente no perfil.
Só que, antes de se destacar no maior palco do futebol, o paraibano de 32 anos fez uma travessia de quase uma década em que seu caminho esteve distante da seleção.
Campeão olímpico como titular no Rio-2016, Douglas ficou nove anos sem ser chamado. Ele só ressurgiu nos planos da seleção em 2025 — primeiro, em uma pré-lista de Dorival Júnior; depois, na convocação de Carlo Ancelotti para as últimas rodadas das eliminatórias, em setembro do ano passado.
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Entre o pódio olímpico e o retorno, Douglas viu quase todos os seus planos profissionais darem errado por motivos alheios. Primeiro, trocou o Atlético-MG pelo Hamburgo, da Alemanha, mas o time viveu sua pior fase na história e acabou rebaixado.
Depois, querendo jogar a Champions League, aceitou proposta do Zenit, da Rússia, em 2019. Só que, em 2022, por causa da guerra com a Ucrânia, os times russos foram excluídos de competições da Uefa. Sem a maior vitrine, ficou ainda mais distante do objetivo.
"Eu fiz todos os jogos na campanha da Olimpíada, dei muitas assistências, tive uma final muito consistente, tanto no ataque quanto na defesa. Pensei que no futuro poderia ter uma chance na seleção", disse o lateral em entrevista ao UOL, em 2024. Na época, ele ainda aguardava uma oportunidade, mas via a possibilidade cada vez mais distante.
Em conversa com a Fifa (Federação Internacional de Futebol) antes do Mundial, o lateral confessou que já não assistia mais às convocações da seleção brasileira, porque sabia que não estaria nas listas.
Foi nesse contexto de decepção com as ausências nas listas da seleção brasileira que a Rússia tentou recrutar Douglas Santos para a sua seleção. Aconteceu também em 2025, quando o paraibano já voltava ao radar da CBF.
A pedido do Zenit, o brasileiro havia entrado com um processo para emissão do passaporte russo. A ideia era que, ao ter a nacionalidade, ele poderia liberar uma posição no elenco para um jogador estrangeiro.
Só que, pouco depois que Douglas obteve o passaporte, a federação de futebol russa fez uma consulta sobre a possibilidade de defender o país. A mudança de nacionalidade chegou a constar do sistema interno da Fifa, mas o lateral nunca aceitou.
O "não" definitivo veio quando, após ser chamado por Ancelotti, ele voltou a ser "brasileiro" nos registros da entidade. Já no primeiro jogo, contra o Chile, pelas eliminatórias, o paraibano foi bem.
Em novembro de 2025, às vésperas de um amistoso contra Senegal, Ancelotti disse que poderia haver surpresas na lista final para a Copa, afinal "havia encontrado um lateral-esquerdo jogando na Rússia". Na época, Douglas se recuperava de uma lesão muscular e não estava com o grupo, mas aquelas palavras eram um sinal de que ele continuava nos planos.
Depois de testar nomes como Caio Henrique, Luciano Juba e Carlos Augusto, o treinador italiano voltou a chamar Douglas para a Data Fifa de março, quando foi titular diante de França e Croácia. Na reta final de preparação, o nome na lista definitiva era esperado.
A partir dali, as surpresas foram outras: primeiro, a posição de titular, superando a experiência de Alex Sandro; depois, a capacidade de atender às demandas da comissão técnica de forma quase impecável nos três primeiros jogos — com segurança na defesa, mas dando opções para Vini Jr. e Paquetá no ataque.
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