'A gente sempre tomou a iniciativa. Eles nunca propuseram nada', diz uma fonte do Itamaraty, que considera a imposição de tarifas uma ação política
Priorizar nos meus resultados Google Comemorada por uma ampla maioria bolsonarista nas redes, a decisão dos Estados Unidos de impor um tarifaço de 25% a produtos do Brasil ocorre depois de um longo esforço da diplomacia brasileira para tentar evitar a decisão.
Segundo dados do Itamaraty, o governo brasileiro realizou mais de trinta contatos com as autoridades do governo de Donald Trump, desde o anúncio do tarifaço, para tentar encontrar uma saída negociada para evitar as tarifas.
“Somente com Marco Rubio (secretário de Estado) e com Jamieson Greer (representante de Comércio dos Estados Unidos) foram onze contatos. A gente sempre tomou a iniciativa. Eles nunca propuseram nada”, diz um importante integrante do Itamaraty.
No início da madrugada desta quinta, Rubio usou as redes sociais para culpar o presidente Lula pelo tarifaço. “Para que não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociariam com os EUA de boa-fé”, escreveu o secretário, dizendo que as políticas econômicas do governo “são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros”.
“No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, seguiu Rubio nas redes.
O governo brasileiro decidiu acionar a lei de reciprocidade, após a confirmação das tarifas e vai rebater as acusações do governo americano como ações “políticas”, destinadas a retaliar o Brasil em um momento de disputa eleitoral.
“O Brasil estava nos 10%, o degrau mais baixo do tarifaço, e a partir do tuíte do Trump, em julho do ano passado, passou para 50%, por expressa motivação política. É só resgatar o texto daquela postagem, que exige a impunidade do ex-presidente pelo golpe fracassado, então em julgamento no STF”, diz um interlocutor do governo.
Em nota, a Presidência da República culpou a família Bolsonaro pela decisão dos Estados Unidos que prejudica diferentes setores da economia brasileira.
“É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros. Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”, disse o governo.


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