Após acordo entre União e AGU, nomeação de Flávia Medeiros para o cargo de oficial de chancelaria foi publicada no DOU desta terça (23/6)
A publicação da nomeação de Flávia Henriques Goes de Medeiros, 29 anos, para o cargo de oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (23/6) trouxe alívio à servidora após uma longa disputa judicial envolvendo o sistema de cotas raciais no concurso do Itamaraty.
A medida ocorre após um acordo firmado entre a União e a Advocacia-Geral da União (AGU), que reverteu a exoneração da candidata, que havia ocorrido após a banca de heteroidentificação entender que ela não se enquadrava nos critérios para concorrer pelo sistema de cotas raciais para candidatos negros no concurso público.
Ao Metrópoles, ela afirmou que recebeu a notícia com felicidade e alívio, após meses de incerteza sobre o futuro profissional.
Segundo ela, a principal reflexão do caso está na importância da valorização da diversidade e da inclusão de pessoas pertencentes aos diferentes grupos raciais do Brasil nas políticas públicas.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF Flávia destacou que, se as políticas são formuladas considerando esses grupos, a implementação também deve garantir que ninguém fique de fora. “Eu acredito também no senso de justiça, eu acho que isso diz muito sobre o quanto nossas instituições estão fortes, apesar dos erros, apesar das melhorias necessárias ali”, afirmou.
“Tanto nas bancas de heterodentificação, quanto nas análises do Judiciário, saber que existem diversos mecanismos que a gente pode ainda assim contar para a correção de injustiças, para a melhoria das políticas públicas”, acrescentou.
A expectativa, segundo ela, é que a mensagem siga adiante, reforçando não apenas a percepção de que as instituições estão fortes, mas também a necessidade de que continuem sendo fortalecidas por meio de ações constantes.
“Eu acredito que sim, inclusive eu incentivo bastante que as pessoas se posicionem, vão atrás dos seus direitos. Algumas pessoas nas últimas semanas me mandaram mensagem falando: ‘Depois que eu vi seu caso, eu tive vontade de falar sobre isso'”, disse.
Flávia havia sido aprovada no concurso realizado em 2024 para uma vaga destinada a candidatos negros. No entanto, durante o procedimento de heteroidentificação, ela foi excluída da lista de cotistas sob o argumento de que apresentava “pele clara, traços finos e cabelos lisos”, características consideradas incompatíveis com os critérios adotados pela banca.
Acordo para posse foi celebrado com intermédio da AGU
A história de Flávia Medeiros, 29 anos, teve início em 2024, quando a jovem participou do concurso do Itamaraty concorrendo às vagas destinadas a candidatos negros
A jovem se considera parda, mas acabou sendo excluída da política de cotas durante o procedimento de heteroidentificação realizado pela Cebraspe
A jovem tem histórico de aprovação por cotas em universidade federal e outros elementos para sustentar sua permanência no certame
Após ter recursos administrativos negados, a jovem entrou com processo na Justiça Federal
A Justiça, então, concedeu liminar favorável, posteriormente confirmada por sentença, reconhecendo o direito da mulher de continuar concorrendo nas vagas reservadas
“Tentar separar pretos e pardos, desmantelar esse grupo de pessoas negras, é muito nocivo porque pardo também é negro", declarou Flávia
"Precisamos fortalecer a nossa identidade negra brasileira. Vejo essa decisão como uma vitória não apenas para mim, mas para todos os pardos", afirmou Flávia ao Metrópoles
Após a nova decisão, a candidata foi convocada, nomeada e tomou posse no cargo de oficial de Chancelaria, passando a atuar no Itamaraty
Flávia chegou a tomar posse mas foi exonerada. Ela ficou 24 dias fora do cargo
Flávia celebra o acordo de posse e diz que a vitória é de todos os pardos

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