O dólar comercial encerrou o pregão desta quarta-feira em alta, retomando o patamar dos R$ 5,20. O sentimento dos investidores globais vem se mostrando menos inclinado à tomada de risco em divisas emergentes desde que o Federal Reserve (Fed) se mostrou mais c…

O dólar comercial encerrou o pregão desta quarta-feira em alta, retomando o patamar dos R$ 5,20. O sentimento dos investidores globais vem se mostrando menos inclinado à tomada de risco em divisas emergentes desde que o Federal Reserve (Fed) se mostrou mais conservador em sua última decisão de juros. A isso soma-se a proximidade das eleições presidenciais no Brasil, que também vem ampliando a cautela dos investidores com o real.

Hoje, ainda, as notícias de que os EUA sancionaram cidadãos e empresas brasileiras por ligações com o PCC foram apontadas por alguns participantes do mercado como um fator que deu força à desvalorização do real no pregão.

O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,90%, a R$ 5,2094, após ter alcançado os R$ 5,2169 nas máximas da sessão. O dólar futuro para agosto subia 0,93%, a R$ 5,2490, e o euro comercial avançou 0,48%, a R$ 5,9276.

Os investidores vêm se mostrando mais reticentes em tomar risco em mercados emergentes após os sinais de que o Federal Reserve pode endurecer sua política monetária. No mesmo horário descrito acima, o dólar também subia 0,38% contra o peso mexicano; 0,21% contra o rand sul-africano; e 0,46% contra o peso chileno.

Segundo a equipe de macroestratégia do BTG Pactual, o banco central americano adotou uma comunicação mais dura, reduzindo o peso do forward guidance e sinalizando a possibilidade de novas altas de juros, resultando em um ambiente de dólar forte.

“Para os mercados emergentes, o efeito é claramente negativo para as economias ligadas às commodities", afirma o estrategista Alvaro Frasson, em relatório enviado a clientes.

Visão semelhante é compartilhada pelo economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia. Segundo ele, o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos dificilmente será suficiente para sustentar uma nova rodada de valorização da moeda brasileira.

“À medida que a eleição presidencial de outubro se aproxima, a incerteza política e as preocupações fiscais devem exercer um papel mais relevante na trajetória do real. Por isso, esperamos uma pressão moderada de depreciação sobre a moeda brasileira, embora a sólida posição externa do país deva limitar as perdas em relação às demais moedas da região", afirma.

No pregão, houve relatos de participantes do mercado de que o anúncio do governo americano de sancionar empresas e cidadãos brasileiros por ligações com o PCC ampliou a cautela nos negócios. Isso foi, segundo eles, uma das razões para o desempenho negativo do real em relação aos pares. A moeda brasileira encerrou o dia como a pior das 33 mais líquidas acompanhadas pelo Valor Pro.