O que explica também diferentes percepções sobre a economia

Priorizar nos meus resultados Google A divulgação da pesquisa BTG Nexus reforçou um cenário de maior equilíbrio na corrida presidencial e, ao mesmo tempo, trouxe um retrato do sentimento dos brasileiros em relação à economia.

Em uma eventual disputa de segundo turno, o presidente Lula aparece com 47% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro soma 44%. Em relação ao levantamento anterior, Lula perdeu dois pontos percentuais e Flávio oscilou um ponto para cima.

O levantamento também mostra que a percepção da economia continua sendo um dos principais desafios do governo. Mais da metade dos entrevistados, 51%, acredita que a situação econômica do país piorou, percentual superior ao registrado duas semanas antes.

Ao mesmo tempo, a avaliação da situação financeira pessoal apresenta uma leve melhora, com 34% classificando-a como ótima ou boa. O contraste revela que muitos brasileiros sentem avanços na própria renda, mas ainda enxergam um ambiente econômico desfavorável.

Essa diferença entre a realidade das famílias e a percepção sobre o país foi um dos temas analisados por Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos. Segundo ele, apesar dos recordes na renda real dos brasileiros, o elevado custo do dinheiro pesa sobre o humor da população e das empresas.

“A gente vem com recordes em renda real líquida pelos brasileiros. Só que a gente vem com essa percepção de uma economia pior. E isso está ligado justamente a um patamar de juro que a gente está vivendo, que é o maior patamar dos últimos 20 anos”, afirmou.

No campo da inflação, os números recentes indicam algum alívio. O IGP-M caiu 0,5% em junho, resultado melhor que o esperado pelo mercado e influenciado principalmente pela queda dos preços do petróleo.

Já o Boletim Focus interrompeu uma sequência de 15 semanas de alta nas projeções para o IPCA, mantendo a expectativa de inflação em 5,33% neste ano, sinalizando uma possível estabilização das previsões.

Para Trotta, esses resultados mostram que a estratégia do Banco Central começa a produzir efeitos. “O núcleo da inflação veio desacelerando um pouco mais do que era esperado. Isso é uma notícia muito boa.Uma notícia de que a política contracionista do Banco Central está, de certa forma, surtindo efeito”, destacou.

Ainda assim, a expectativa do mercado é de poucos cortes na taxa Selic, atualmente em 14,25%, justamente porque o cenário continua cercado de incertezas.

Entre esses fatores está a volatilidade internacional provocada pelas tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, que influenciam diretamente os preços do petróleo e, por consequência, as expectativas de inflação no Brasil.

No ambiente doméstico, Trotta avalia que o principal obstáculo continua sendo a credibilidade das contas públicas. “A variável estrutural mesmo é a credibilidade fiscal. Enquanto não houver compromisso crível com controle de gastos e trajetória da dívida, a gente não vai ter essa diminuição do prêmio de risco do País”, explicou.

Na avaliação do especialista, esse cenário também ajuda a entender por que o mercado costuma reagi quando o pré-candidato Flávio Bolsonaro reduz a diferença de Lula na corrida presidencial.

Segundo ele, investidores costumam precificar expectativas sobre a condução da política econômica, mas ressalta que, independentemente de quem esteja no poder, a confiança dos agentes dependerá da capacidade de apresentar um compromisso consistente com o equilíbrio fiscal.

Enquanto isso não acontece, os juros permanecem elevados, o crédito continua caro e a sensação de estagnação tende a persistir, mesmo com indicadores positivos de renda.