Assim como na agenda ESG existe o termo "greenwashing" – quando uma empresa "finge" ser sustentável –, no mundo da inteligência artificial (IA), é preciso evitar o "turismo de IA". O alerta é de Bret Taylor, fundador da startup Sierra e chairman da OpenAI, al…
Assim como na agenda ESG existe o termo "greenwashing" – quando uma empresa "finge" ser sustentável –, no mundo da inteligência artificial (IA), é preciso evitar o "turismo de IA". O alerta é de Bret Taylor, fundador da startup Sierra e chairman da OpenAI, além de ter sido um dos criadores do Google Maps e chefe de tecnologia do Facebook.
Em uma palestra na 27ª Conferência Anual do Santander, ele disse que toda diretoria e CEO de empresa hoje cobra metas de IA de seus funcionários. Segundo ele, isso pode acabar criando incentivos para um uso "performático" da ferramenta, com muita prova de conceito, mas sem objetivos claros.
"É preciso focar no impacto no negócio, não na tecnologia em si. Dar chatGPT para todo empregado é um pré-requisito, mas o uso de token é input, não output. A empresa precisa ter metas claras. O simples uso de agentes de IA não pode ser confundido com progresso", apontou Taylor, ressaltando que a cultura do uso de IA deve vir de cima pra baixo, ou seja, começar pela cúpula da empresa.
"Muita gente assume que é só dar IA para todos os funcionários e a transformação vai emergir do outro lado. Não vai acontecer".
Segundo Taylor, assim como os websites se tornaram a principal vitrine das lojas com a ascensão da internet, os agentes de IA terão o mesmo efeito. "Os agentes de IA vão ser a porta da frente. Estamos entrando em uma era tão significativa quanto foi a introdução da internet, e ainda estão nos estágios muito iniciais".
Ele disse acreditar que, daqui a alguns anos, vai ficar claro que o legado dos agentes de IA vai ser mais na geração de receita do que na economia de gastos. O especialista apontou que a eficiência de gastos é um imperativo, mas todo mundo vai fazer. Assim, o diferencial será na receita.
"Eu admiro muito a Ana Botín [presidente executiva do Santander Espanha]. Se a gente falar para ela que a IA gerou uma economia de US$ 10 e que podemos reinvestir US$ 9,99 para ganhar market share, ela vai aceitar", comentou.
Assim, diz ele, com a economia de gastos gerada pela IA, as empresas devem reduzir preços para os clientes, o que vai acirrar a competição. Nesse contexto, a ferramenta pode ser muito importante para a conquista de clientes, reduzindo as desistências ao longo do "funil" de aquisição de consumidores.
Ameaça aos empregos?
Sobre receios de que a IA poderia destruir empregos, Taylor afirmou que, mesmo entre engenheiros de software, entre os quais a ferramenta tem sido mais usada (na escrita de códigos), o número de vagas de trabalho hoje é maior do que há quatro anos. Segundo ele, o que acontece é que as funções vão evoluindo.
"Os empregos vão mudar. Um caixa de banco hoje não faz a mesma coisa que fazia antes. Imagina a função de contador antes do Excel."
Ele ressaltou que muitas vezes na história, quando se previu que uma nova tecnologia ia gerar uma perda massiva de empregos, isso acabou não se mostrando correto. De qualquer forma, ressaltou que os mais jovens têm vantagem no cenário atual, pois têm mais plasticidade e flexibilidade e não estão engessados no modo antigo de fazer as coisas.
Riscos trazidos pela IA
Em relação aos riscos trazidos pela IA, inclusive de alucinações, ele disse que é preciso trabalhar em controles e formas de mitigá-los, mas defendeu que ainda assim a ferramenta é melhor que as alternativas humanas. "A IA é imperfeita, sempre vai ser. A gente não pode fingir que não existe risco, mas é preciso pensar sobre a governança. Mas ela é estatisticamente mais perfeita que as alternativas"
Por fim, Taylor contou que perdeu uma aposta de US$ 10 com a esposa. Quando a filha nasceu, ele apostou que ela não ia tirar uma licença de motorista, porque o avanço dos serviços de aplicativo e carros autônomos tornaria isso desnecessário. A jovem acabou de completar 16 anos e tirou, sim, a carteira.
"A lição que eu tiro é que, às vezes, parece que uma nova tecnologia vai ter uma curva de ascensão super rápida, mas ela atinge um platô."
Convidado a imaginar de onde podem vir os grandes avanços da IA nos próximos cinco anos, ele comentou que os modelos atuais já estão conseguindo resolver problemas de matemática que intrigam os cientistas há décadas.
"A IA vai guiar grandes descobertas científicas nos próximos anos, com avanços fundamentais em matemática, física e possivelmente na área de saúde. Os agentes de IA funcionam como cientistas incrivelmente capazes", disse.




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