"O Lobo no Inverno", filme sobre o tenista sérvio, foi lançado pelo Prime Video
Compartilhar matériaO Prime Video lançou oficialmente, nesta quinta-feira (20), o documentário "Novak Djokovic: O Lobo no Inverno", que aborda a vida e a carreira do tenista sérvio de 39 anos, recordista de títulos de Grand Slams da ATP.
Entre os principais tópicos abordados no filme está, claro, uma das grandes polêmicas que estremeceu a imagem da carreira vitoriosa de Djokovic: a posição pública de não se vacinar contra a Covid-19 durante a pandemia. O sérvio falou abertamente sobre o caso.
"(Não me vacinei) Porque eu não precisava disso. Por que eu deveria tomar a vacina? Eu sou saudável. Eu sou um atleta. Eu peguei coronavírus. Eu tinha a imunidade. Eu não era uma ameaça mais", afirmou ele.
"Não tinha qualquer razão para eu me vacinar. É a minha liberdade de escolha, esse direito fundamental que você tem como ser humano neste planeta, a liberdade de escolha, que foi tirada de muitas pessoas".
Djokovic fez a primeira declaração pública contra a vacinação da Covid em abril de 2020, bem no início da pandemia, antes mesmo de existir uma vacina aprovada, durante uma live de Facebook com outros tenistas sérvios.
Na época, ele se disse contrário à vacinação como condição para fazer viagens, mas que, se ela se tornasse obrigatória, teria de decidir se a tomaria ou não. Também afirmou não ser especialista no assunto, mas querer ter a opção de escolher o que era melhor para o próprio corpo.
A declaração causou polêmica, mas não era vista como uma posição fechada. Ao longo de 2021 e, principalmente, após o episódio do Australian Open em 2022, que a postura de Djokovic se tornou mais firme e pública.
Em fevereiro daquele ano, o sérvio chegou a dar uma entrevista à BBC dizendo que estava disposto a abrir mão de torneios como Roland Garros e Wimbledon caso fosse obrigado a se vacinar.
No fim de 2021, Djokovic conseguiu uma isenção da exigência de vacinação contra a Covid-19 para disputar o Australian Open em janeiro, concedida por dois painéis médicos e pela federação australiana de tênis, sob a justificativa de que havia se recuperado recentemente da doença.
Essa isenção supostamente permitiu que ele obtivesse visto para entrar no país. Ao desembarcar em Melbourne, funcionários da fronteira australiana consideraram a isenção inválida e cancelaram seu visto, encaminhando-o para detenção de imigração.
Cinco dias depois, Djokovic venceu uma disputa judicial por motivos processuais e foi liberado, podendo permanecer no país temporariamente, mas o ministro de Imigração, Alex Hawke, usou poderes discricionários para cancelar o visto pela segunda vez, alegando interesse público, o que o levou de volta à detenção enquanto seus advogados recorriam.
Em 16 de janeiro, onze dias depois da primeira detenção no aeroporto, um tribunal federal manteve a decisão do governo, e Djokovic foi deportado da Austrália, encerrando sua tentativa de defender o título e disputar seu 21º Grand Slam.
Djokovic, que deixou o país rumo a Dubai, ficou inicialmente banido da Austrália por três anos, mas essa proibição foi posteriormente revertida. Ele voltou na edição de 2023 e se sagrou campeão pela décima vez do Australian Open, um recorde absoluto na ATP.
O ministro Hawke chegou a chamá-lo de um símbolo do sentimento antivacina, e o caso polarizou a opinião pública mundialmente, tornando-se um ponto de discórdia nos debates sobre exigências de vacinação.




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