No WW Especial, professor da UFF afirma que governo Donald Trump testou as instituições americanas e que a ascensão da China desafia a liderança de Washington
Compartilhar matériaOs Estados Unidos completam 250 anos de independência como a maior potência econômica, militar e tecnológica do planeta, mas em uma posição muito diferente da que ocupavam no auge de sua hegemonia, após o fim da União Soviética. É o que avalia Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF, em análise sobre o legado e os desafios do país neste momento histórico.
Para Brustolin, a Declaração de Independência de 1776 foi, até agora, "uma declaração relativamente bem-sucedida". A Constituição americana, promulgada em 1787, segue vigente, e seus mecanismos básicos "sobreviveram a guerras, a depressões econômicas, a transformações sociais e a crises constitucionais".
Apesar da solidez histórica das instituições, Brustolin aponta que esse arcabouço foi colocado à prova nos últimos anos. "O atual presidente já desafiou essa institucionalidade no primeiro mandato", afirmou, referindo-se à invasão ao Capitólio ocorrida ao final daquele governo, episódio pelo qual Donald Trump foi julgado por uma acusação de tentativa de insurreição. Para o analista, esse constitui um desafio interno significativo à tradição democrática americana.
O professor também lembrou que os ideais fundadores dos Estados Unidos — baseados nas ideias do filósofo inglês John Locke e sintetizados na máxima de que "todos os homens são criados iguais" — sempre foram contestados ao longo da história do país. "Isso sempre foi questionado por discriminação racial, por questões de escravidão e depois por questões financeiras, da desigualdade social", destacou Brustolin.
No plano externo, o analista ressalta que os Estados Unidos, embora ainda líderes mundiais, já não desfrutam da supremacia incontestável que possuíam entre 1990 e o início dos anos 2000, período posterior à queda da União Soviética. "A maior parte dos colegas analistas concorda que existe uma predominância contestada do poder dos Estados Unidos nesse momento", afirmou.
Segundo Brustolin, essa contestação se dá sobretudo pelo crescimento da China, o que introduz no cenário internacional o que ele chama de uma possível "armadilha de Tucídides" — conceito que remete à rivalidade entre potências estabelecidas e potências emergentes. O tema, segundo o próprio analista, merece aprofundamento no debate sobre o futuro da liderança americana nos próximos anos.
Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.
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