Investigação sobre supostas práticas desleais do Brasil teve início em julho do ano passado e inclui etanol e Pix

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

15.jul.2026 às 13h05

Nathalia Garcia Isabella Menon

Brasília e Washington

O representante de comércio da Casa Branca, Jamieson Greer, sinalizou para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que será mantida a recomendação de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. A decisão, segundo relatos de uma autoridade brasileira, sairá nesta quarta-feira (15) e deve trazer a ampliação da lista de produtos isentos –o setor privado também acredita que outros segmentos sejam poupados da sobretaxa de 25%.

A investigação foi concluída no início de junho. Em seguida, foram abertos comentários públicos e audiências aconteceram em Washington, onde o setor privado afetado, tanto do lado brasileiro quanto americano, se manifestou em sua maioria contra as tarifas.

A vigência das tarifas pode ser imediata ou acontecer poucos dias após a publicação da decisão, segundo esse mesmo interlocutor ouvido pela Folha.

A apuração da seção 301 foi instaurada em julho de 2025 como uma das medidas anunciadas pelo republicano em reação ao que ele classificou como uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na carta do ano passado, o republicano disse que "a forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar imediatamente".

O governo brasileiro realizou reuniões com os americanos desde maio deste ano. Os encontros aconteceram após a visita de Lula na Casa Branca, onde foi acordado a criação de um grupo de trabalho com integrantes dos dois países para que pudessem avaliar conjuntamente as questões envolvidas no processo.

A expectativa era que o grupo trabalhasse por um mês em conjunto. Porém, a conclusão da investigação foi publicada antes do período. As reuniões entre o Brasil e os EUA continuaram, mas segundo relatos de aliados do governo petista, não havia abertura para negociações e os americanos taxariam o Brasil de qualquer forma.

Na terça-feira, o governo realizou uma última reunião. Em nota divulgada no site do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o governo afirma que reiterou aos americanos "o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas".

Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar

"Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas", diz a pasta. "Cumprindo a orientação do Presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado."

Uma reportagem da Folha mostrou, nesta terça-feira, que integrantes do governo vão recomendar ao presidente Lula a adoção de medidas de reciprocidade aos Estados Unidos. A possibilidade foi mencionada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na terça.

"O processo de reciprocidade foi iniciado no passado. A gente chegou a suspender a tramitação, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás do tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade", declarou ele.

benefício do assinante