"As pessoas que votam em Lula e as pessoas que votam em Bolsonaro votam nela espontaneamente", disse João Baltar - Matheus Ribeiro/Folha de Pernambuco O ex-presidente estadual do Cidadania João Baltar Freire afirmou que a governadora Raquel Lyra (PSD) conseguiu superar a polarização ao unir, no mesmo palanque, apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Em entrevista concedida à Rádio Folha 96,7 FM, na manhã desta sexta-feira (21), Baltar disse que o lulismo e o bolsonarismo tornaram-se seitas e avaliou que a governadora e candidata à reeleição mostrou-se exemplar na construção de consensos.

"As pessoas que votam em Lula e as que votam em (Flávio) Bolsonaro votam nela espontaneamente. Ela faz parceria com o governo federal, Lula gosta dela e manda dinheiro para Pernambuco. Ela não é fanática", afirmou.

Ainda de acordo com João Baltar Freire, a estratégia da governadora de não declarar voto em nenhum dos candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano não vai prejudicá-la eleitoralmente. "Só se o eleitor for um fanático e achar que só pode votar numa pessoa se alguém mandar."

Diferentemente do ex-prefeito do Recife e candidato ao governo João Campos (PSB), que ressalta a aliança com o presidente Lula, Raquel tem defendido um debate focado em Pernambuco. 

Federação  O ex-presidente estadual do Cidadania comentou o imbróglio envolvendo a Federação PSDB/Cidadania e disse que houve um golpe nacional no partido para atingir a governadora Raquel Lyra, que perderia o tempo de propaganda eleitoral correspondente à federação com a decisão de neutralidade das legendas na disputa estadual.

"Esse golpe concretizou-se com o movimento do PSB, que nem faz a questão de esconder, para que a federação nacional retirasse o tempo (da coligação de Raquel) aqui em Pernambuco", afirmou.

Contexto  A convenção partidária da federação acabou nos tribunais após divergências envolvendo o apoio na disputa pelo governo de Pernambuco. Após a decisão de apoiar a reeleição de Raquel Lyra, uma intervenção no diretório estadual retirou o apoio à chefe do Executivo pernambucano e declarou neutralidade na disputa pelo governo.

Apesar disso, a federação no estado manteve apoio a Raquel, o que foi questionado na Justiça Eleitoral pela Frente Popular, liderada pelo candidato João Campos. Em resposta, a coligação governista entrou com uma ação para manter o PSDB e o Cidadania na aliança eleitoral. 

A definição da permanência ou não no palanque da governadora encontra-se, agora, na Justiça. Ontem, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) adiou a análise do pedido da federação nacional para retirá-la da coligação da governadora.

O próximo passo é a apresentação de novos documentos pela Frente Popular no prazo três dias. Posteriormente, caberá ao Ministério Público Eleitoral (MPE) manifestar-se em até dois dias. A propaganda eleitoral gratuita de rádio e TV vai começar no dia 28 de agosto.

Veja a entrevista na íntegra: