Cão é resgatado durante a ação policial na operação Carrasco, que investigou a ex-secretária Paula Lopes - Miguel Noronha/PCRS A ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, no Rio Grande do Sul, foi denunciada por crimes relacionados a maus-tratos contra animais domésticos cometidos ao longo de 2025 em Canoas e Porto Alegre.
Segundo a denúncia, realizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e divulgada nesta quarta-feira (1), Paula Lopes usou do poder de comando no cargo para determinar a execução de eutanásia dos animais, sem respaldo em exames laboratoriais que apontassem doenças ou problemas de saúde que justificassem o procedimento.
A denunciada não tinha formação técnica em Medicina Veterinária e ocupou o cargo de secretária municipal de Bem-Estar Animal de Canoas apenas de janeiro a julho de 2025, quando pediu exoneração do cargo. Nesse curto período de tempo, 478 eutanásias foram realizadas sob o comando de Paula.
Do total de envolvidos, oito pessoas foram denunciadas pelo crime de eutanásia ilegal e uma nona pessoa foi denunciada por outros crimes. Uma delas é uma policial civil, que acessou e repassou dados restritos à ex-secretária para favorecer a prática criminosa.
O MPRS também denunciou uma associação, fundada e mantida pela então secretária, por participação em crimes de maus-tratos em três episódios.
Além disso, a entidade foi utilizada em ações que envolviam arrecadação de valores para supostos tratamentos de animais. O dinheiro era revertido para a ex-secretária e o marido.
Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS), a investigada, que nas redes sociais ostentava fotos de animais com deficiência que "adotava" e "salvava", usava essa fachada para legitimar suas captações.
O MPRS solicitou a aplicação de sanções previstas na legislação ambiental e penal, como a proibição de guarda de animais, perda de bens relacionados aos crimes e perda de cargo e função públicos.
Para o promotor de Justiça Leonardo Giardin de Souza, responsável pela ação, não é possível oferecer acordo para evitar o processo penal porque os crimes envolvem violência.
“A conduta é desprezível e de intensa crueldade, seja pela perspectiva da proteção do meio ambiente e das vidas dos animais, seja por considerar a dor causada nos tutores. Isso não se limita aos moradores de Canoas, mas reforça o sofrimento que eles viveram desde a enchente de maio de 2024. As eutanásias ilegais foram feitas em massa e com objetivos fraudulentos”, comentou.




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