Rui Terroso começou a viajar em 1993 atrás do músico Prince. Em 2004 fundou uma empresa turística. Desde então não tem parado de viajar para descobrir destinos imperdíveis.

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Sejam bem-vindos. O viajante desta semana quer ir a todos os países do mundo. Já pôs os pés em 86, muitos deles repetidos, porque ele vive do turismo. Isto das viagens é uma paixão que começou cedo. Ainda não tinha 18 anos e já andava a vender peças de roupa para viajar atrás dos sons de um músico que até já nem está entre nós. Rui Terroso, bem-vindo às Conversas do Fim do Mundo.

Olá, João, obrigado pelo convite.

Olha, a vender que peças de roupa e para acompanhar que músico? Vamos lá.

Eu tinha efetivamente 17 anos e fui desafiado por uma amiga. Eu sou do norte, de uma aldeia que pertence ao concelho de Barcelos. Ela tinha também casa lá no norte.

Via Todos, concelho de Barcelos.

Ela tem casa lá também, da parte materna, e desafiou-me: "E se nós fôssemos? Vem aí o Prince, vai fazer uma turnê pela Europa, vem também a Portugal e a Espanha. Poderíamos mandar fazer umas T-shirts no Vale do Ave." Enfim, foi um juntar o empreendedorismo com as viagens e fomos ao Vale do Ave, mandamos fazer a T-shirt, pegamos no álbum, estampamos em T-shirts, carregamos o carro dela, um Toyota Corolla, e aí fomos nós.

Isso foi em que ano?

Portugal e Espanha em 1993. Tinha os meus 17 anos e, na altura, obviamente que eu não ia dizer ao meu pai que ia com uma amiga alguns anos mais velha que eu fazer uma turnê pela Península Ibérica. O que lhe disse foi: "Eu vou pra Lisboa passar férias em casa do irmão dela". E os meus pais: "Ok, sim, senhor". Lá fomos nós vender T-shirts por Madrid, Barcelona, Verindón, Rijón, Cádiz, Santiago Compostela, Lisboa também, Estádio de Alvalade. Algumas peripécias em Lisboa.

Ainda não disseste que era o Prince.

Não. Sim, era o Prince que vinha fazer a turnê. E lá fomos nós fazer a turnê. Duas, três peripécias. Aqui em Lisboa, de repente, estava eu com 17 anos à porta do Estádio de Alvalade a vender T-shirts.

Do velhinho Estádio de Alvalade.

Do velhinho Estádio de Alvalade. Nós mandávamos fazer aquelas T-shirts por tipo 1 € ou 200 escudos na altura, vendíamos por mil escudos aqui em Portugal, mil pesetas em Espanha. Estávamos nós a vender a T-shirt. Obviamente que isto é um negócio ilegal, consegui aprender que não, foi o meu único negócio ilegal. De repente, um grupo de jovens rodeou-me e começaram a me empurrar pra um canto e quando dei por ela já tinha sido assaltado, tinham me roubado as T-shirts. A T-shirt que estava na minha frente também foi roubada.

Não, nós tínhamos as T-shirts, estavam no carro, nós só transportávamos numa mochila cerca de 10 T-shirts. Depois tive que novamente recarregar. Em Madrid, recordo-me também, assaltaram o carro, roubaram uma grande porcentagem de T-shirts. Tivemos que voltar a Portugal para reabastecer. E uma curiosidade foi em Santiago de Compostela, estava eu a vender T-shirts e a polícia não brinca em Espanha. De repente, aparece um senhor vestido com um fato safári, com câmera fotográfica ao peito, chapéu, e de repente levanta a mulística e diz: "Polícia, estás detido, vais pra esquadra, estás a fazer algo ilegal". Enfim, são centenas de pessoas que vêm de toda a Europa, Holanda, de todo lado, centenas mesmo. Acho que isto é uma prática em todos os concertos. Lá fui eu, 17 anos, preso em Santiago de Compostela.

Preso por andar a vender T-shirts.

Por andar a vender T-shirts falsificadas, porque obviamente dentro do estádio vendia-se T-shirts.

Há uma palavra no Porto pra esse tipo de pessoas, não é? Candongueiro. Tu foste um candongueiro.

Isso é candonga. Mas enfim, passado umas horas a minha colega foi lá.

Claro que não. Foi o que foi, foi a realidade.

Enfim, passado umas horas, a minha colega lá me foi buscar à esquadra, responsável por mim, maior. Mas depois, curioso que fomos pra Barcelona, isto foi noite e dia a conduzir. Chegamos a Barcelona, o que eu vou fazer pra não ser apanhado? Decidi tirar a própria T-shirt, ficar em tronco nu, a minha mochila coloquei debaixo de uns arbustos e vendemos todo o estoque. Foi uma experiência brutal.